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A dica imperdível para o final de semana é a 9a edição do Festival Internacional I Love Jazz, evento tradicional no calendário cultural da cidade.  Sábado (23) e domingo (24), sempre a partir das 15hs,  a  Praça do Papa volta a ser o palco de grandes atrações do Brasil e do exterior, com o melhor do ritmo que surgiu nos Estados Unidos no início do século passado.

Assim como em todas as edições, o objetivo do festival é mostrar ao público que o jazz é um estilo popular, dançante e que emociona sem que o ouvinte tenha necessariamente um conhecimento profundo. Ao contrário do que muitos acham não se trata de uma música de elite, mas sim algo criado para divertir a população das partes mais pobres de Nova Orleans daquela época.

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Aula de Lindy Hop com os BeHoppers

Durante os dois dias de festival, às 15:00h, o grupo de dança BeHoppers ensinará ao público os passos básicos do Lindy Hop. Qualquer pessoa poderá participar destas aulas. Basta chegar à Praça do Papa, de preferência usando calçados e roupas confortáveis. Uma ótima oportunidade para aprender a dançar este ritmo contagiante!

Programação 2017

Sabado 23/9

15h Aula de Lindy Hop com os BeHoppers

16h Pepe Ja Tirei a Vela

17:30h Tito Martino Jazz Band

19h Joseval Paes Big Band

20:30h Gunhild Carling

Domingo 24/9

15h Aula de Lindy Hop com os BeHoppers

16h Ricardo Baldacci Quartet

17:30h Taryn & The Art Deco Army

19h Happy Feet Big Band

20:30h Steve Pistorius Quartet

 

Sobre as atrações

Pepe Já Tirei a Vela –    Os Pepes, como são conhecidos formam uma banda que além da alegria contagiante apresentam  releituras dos clássicos do Blues, Swing e  Gipsy Jazz. As releituras e improvisos são a essência do quarteto de cordas formado por Raissa Uchoa, Thiago Rocha, Rogerio Sena  e Pablo Barcelos.

Tito Martino Jazz Band – O clarinetista paulistano Tito Martino e o pistonista e vocalista croata André Busic  são  pioneiros  do Jazz no Brasil, premiados em Festivais nos Estados Unidos e na Europa. Além de Tito e Busic, a banda conta com Alexandre Hage, piano; Cleber Guimarães, jazz-guitar e banjo; Beto Grangeia, contrabaixo; Billy Ponzio, bateria e washboard;

Joseval Paes Big Band – Completando 34 anos de carreira Joseval Paes integrou várias das principais orquestras de SP.  Apresenta arranjos originais das big bands de Count Basie, Thad Jones, Duke Ellington e Bennie Godman.

Gunhild Carling – A multi-instrumentista sueca Gunhild Carling é um dos nomes mais importantes do novo cenário do jazz mundial. Gunhild vem de uma família de jazzistas que há décadas fazem shows pelo mundo com grande sucesso.

Ricardo Baldacci Quartet – Neste último ano de 2017, Baldacci tem realizado um novo formato de show além de seu trio, em que se apresenta sozinho, recriando apenas com sua voz e a companheira guitarra acústica de 7 cordas, um instrumento pouco usual no jazz, o clima das gravações da fase áurea de Frank Sinatra nos anos 1950 e 1960 e adaptações das orquestras de Duke Ellington.

ilovejazz1Taryn & The Art Déco ArmyTaryn & The Art Déco Army é um projeto musical que nasceu através do convite do diretor Jayme Monjardim para Taryn participar da novela da TV Globo “Tempo de amar” ( Setembro 2017) interpretando canções dos anos 20 em cena , e em sua trilha sonora ( que será lançada pela gravadora Som Livre) já que a trama se passa nos anos 1927 , e a cantora e atriz destaca-se no cenário musical pela sua carreira dedicada há mais de 2 décadas à pesquisa e resgate do Jazz&Blues Clássico, e da estética vintage em suas performances ao vivo, evocando a atmosfera das atrizes de Hollywood e Pin Ups da era de ouro do cinema.

Happy Feet Big Band – A banda mineira Happy Feet Jazz Band foi formada em 2008 e tem no jazz das décadas de 30 e 40 sua inspiração. Vem se apresentando nos principais palcos e festivais do país. Desde 2012, conta com uma formação de big band, com 13 músicos.

Steve Pistorius Quartet – O pianista de jazz de Nova Orleans, Steve Pistorius, é considerado um dos melhores deste estilo no mundo. Ele virá ao I Love Jazz com o seu quarteto “Steve’s Southern Syncopators”, que conta com o veterano clarinetista Orange Kellin, o trompetista Duke Heitger e o baterista Benny Amón.

Serviço
I Love Jazz
23 e 24 de setembro – A partir das 15h
Praça do Papa – Entrada Gratuita


É hora de esquentar o fim de semana com 3 novos álbuns super aguardados. Veja as nossas dicas.

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HAIKU FROM ZERO – CUT COPY – Uma das bandas internacionais indies mais queridas aqui no Brasil, Cut Copy, nos prestigia com um álbum diferente dos seus trabalhos. Desta vez fizeram sons mais orgânicos. Algumas faixas como Airbone e Stars Last Me A Lifetime, mostram a capacidade de levar suas características musicais para a sonoridade pop eletrônica da atualidade. Para quem gosta deles, por achar as músicas elegantes, meio eletrônico, meio pop, talvez não seja o melhor trabalho. Cut Copy saiu da zona de conforto e deu certo. Se quiser entender, ou lembrar o estilo anterior do grupo, a faixa Black Rainbow é a referência (e melhor faixa do álbum). É o lançamento destaque da semana. Com um álbum inédito aumenta a torcida para que a nova turnê venha para o Brasil.

ESCUTE: Black Rainbow; Living Upside Down; Standing In The Middle Of The Field, Airbone.

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MÚSICAS PARA CONTAR JUNTOS – ACÚSTICO JOTA QUEST – JOTA QUEST – Enfim o álbum completo está disponível para todos. Composto de inúmeros hits de sucesso nacional, o álbum está literalmente para cantar junto. Diferente dos álbuns ao vivo da banda, este acústico está com instrumentos acústicos de peso. Fácil é a canção que mais se diferenciou da versão original. As músicas com participações especiais (Milton Nascimento e Falcão) são os pontos altos do álbum.

ESCUTE: O Sol; Fácil; Sempre Assim, As Dores Do Mundo.

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WONDERFUL WONDERFUL – THE KILLERS – depois de 5 anos The Killers volta fresco, bem mais marcante e moderno. Este álbum está mais rock indie que o anterior, Battle Born, sem deixar o brilho de suas baladas de lado, como na faixa Some Kind Of Love.

ESCUTE: Some Kind Of Love; The Man; Out Of My Mind

 

Escute também: Capim Guiné – BaianaSystem; Sexy Dirty Love – Demi Lovato; Week Without You – Miley Cyrus; Gold Old Days (feat. Kesha) – Macklemore; Impossível acreditar que perdi você – Vanessa Da Mata


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No dia 22 de setembro de 2004, caía em uma remota ilha do Pacífico, o voo 815 da Oceanic Airlines. A partir de então, a vida presente, passada e futura daqueles sobreviventes modificaria de modo definitivo a maneira de assistirmos televisão.

Estamos falando de LOST, a série de J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse, que contava a luta para sobreviver em uma ilha cercada de teorias e acontecimentos estranhos. Mas, LOST foi e é muito mais que uma história de mistérios. Durante seis temporadas, a série ensinou as demais e as futuras produções de como continuar viva na pauta de discussões mesmo depois que se terminava um episódio.

Tudo que vemos hoje nas séries de maiores sucessos devesse em muito ao que LOST propunha há 13 anos. Os roteiristas nos apresentaram as diversas possibilidades de contar aquelas narrativas por meio dos flashbacks, flashforwards e flash side-ways. Dessa forma, abria-se um leque de opções para que explorassem aqueles personagens e suas inúmeras histórias.

Talvez o grande legado de LOST foi tirar a televisão de nossas salas. A série não terminava ao fim dos episódios. Ela ganhava uma sobrevida nos milhares de grupos de discussões online, sites, blogs e, claro, nas mesas de boteco. Todo mundo estava falando de LOST. Todos nós queríamos saber o que significava aqueles números de loteria, a fumaça branca, a preta, a Iniciativa Dharma. Se Katie deveria ficar com Jack ou Sawyer, como que Locke voltou a andar, e de que lado ele estava. Enfim, se você não estivesse falando sobre LOST você estava com sérios problemas.

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Nunca é tarde para começar a assisti-la. É uma história atemporal, com todos os seus méritos e defeitos, como qualquer série que ultrapassa o seu limite vital por diversas questões. Assistir LOST é um exercício de como lidar com as emoções. Por mais que chega um momento que você se sinta cansado e enganado por aquelas pessoas, que aquela história toda não vai ser bem explica na sua essência, você não consegue deixar de lado. É como se a ilha também exercesse um poder sobre você e, como Jack, você sente que precisa sempre voltar a ela.

lost2Se o final decepcionou, se ficaram no ar diversas perguntas e mistérios não solucionados hoje já não importam mais. LOST não foi pensada para ser aquelas séries didáticas que entrega o bê a bá perfeito para quem a assiste. Seria impossível agradar um púbico que chegou a 24 milhões por episódio. Para cada teoria lançada no decorrer das temporadas, criava-se aqui fora mais 10 para explicá-la. Cada um de nós acompanhávamos uma história diferente baseado nos nossos “achismos”. Depois de LOST, nenhuma série conseguiu esse feito: multiplicar-se na imaginação dos fãs!

Passado sete anos do seu final, “aceito” que LOST, assim como tudo que acontece em nossas vidas, vai na máxima de que nem sempre o final é o que mais importa e, sim, a trajetória que nos leva ao The End.


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*Por Hely Costa Jr.

Dias atrás, o Ameixa Japonesa me pediu um texto com dicas de viagens. Viajar, conhecer novos lugares, culturas e gente diferente é uma das coisas que mais gostos de fazer. Pena que me falta dinheiro e férias…

Pensei em escrever sobre Roma, pra mim, a cidade mais linda do mundo. Mas aí lembrei do La Catedral, um dos lugares mais incríveis que já fui em Buenos Aires. Ou seria melhor escrever sobre o Pitico, um bar delicioso que fui esse fim de semana em São Paulo? Mas teve aquele dia que fui expulso do Couchsurfing em Paris… Bingo!

Pra quem não conhece, #ficadica, Couchsurfing é uma plataforma online que possibilita que você viaje e se hóspede de graça na casa de alguém! Funciona assim: você se cadastra, faz um perfil, escolhe pra qual lugar quer viajar, define as datas, faz uma busca e ele te retorna com pessoas que estão dispostas a receber viajantes aventureiros. Contato feito e pedido de hospedagem aceito é só fazer as malas!

Após a sua hospedagem, você vai ser avaliado pelo seu anfitrião e fará o mesmo com ele, o que faz com que os perfis tenham avaliações de todos os envolvidos, o que dá certa segurança na hora da escolha! A privacidade e o conforto de um hotel são indiscutíveis, mas pra quem está viajando sozinho e não tem muita frescura, a experiência de se hospedar na casa de alguém que você não conhece é enriquecedora e o melhor, o custo é zero!

fotohely2Minha primeira experiência com o Couchsurfing foi em Roma. Fiquei na casa de um casal que me ofereceu não um sofá, mas um quarto e ainda me ofereceram um citytour noturno com direito ao melhor sorvete da cidade. Em Playa del Carmen fui levado para comer os melhores tacos do Caribe mexicano, numa kombi, no estacionamento de um supermercado. Além de um jantar com chiles poblanos, um prato típico mexicano, no qual o recheio dos pimentões fica cozinhando por mais de oito horas. Na Cidade do México, depois de um aniversário, terminei a noite ensinando a galera a sambar. Em Madri ganhei um jantar de aniversário. E em Paris, bom, em Paris fui convidado a me retirar por não ceder às tentativas de sedução do tiozinho que me hospedava: C’est la vie.

fotohely3Além de viajar, já recebi muita gente! E nunca tive problema, pelo contrário fiz vários amigos! Viajar e hospedar pelo Couchsurfing é pra quem está com o coração e mente abertos e viver experiências incríveis. Sobretudo porque você foge do turismo convencional, aquele com guia e hora marcada! É uma possibilidade de conhecer uma cidade pela ótica de seus habitantes, frequentar os locais que eles costumam ir e não pelas indicações do pacote da agência, que muitas vezes é uma grande roubada!

Pode dar errado? Claro que pode! Mas aquele hotelzinho que parecia incrível no site, pode ser bem diferente ao vivo e ter um cheiro de mofo terrível. Então, se você quiser se aventurar na próxima viagem experimente o Couchsurfing, quem sabe você não divide os dias em uma cidade entre um hotel e um sofá? Além de economizar, provavelmente você irá conhecer muito mais que os pontos turísticos de uma cidade.


mother!

A nova obra de Darren Aronofsky (Cisne Negro) que estréia hoje nos cinemas da capital, é uma viagem lisérgica audiovisual que mexe com todo o seu corpo. Passamos por uma experiência corporal, emocional sentados diante da tela. E por ser uma experiência só posso dizer da minha. Pois é complicado falar de mother! (o titulo é no diminutivo mesmo) sem soltar algum spoiler. Até porque é o tipo de filme que cada um terá a sua interpretação.

Não é de hoje que Aronofsky faz de cada filme seu ser um conjunto de sensações para o publico. Aquelas sensações que nos acompanham por diversos dias após a exibição. Ficamos procurando pontos narrativos para explicarmos a sua lógica. Embora ao final de mother! o diretor o finaliza praticamente da forma que começou: a sensação de uma virgula tal qual Aprendizado ou o Livro dos Prazer de Clarice Lispector. Ou seja: o que vimos vem de algo acontecido e que está longe de terminar. E sendo assim, o filme também termina com :

Darren Aronofsky não deu nome aos seus personagens. Pode ser qualquer. Pode ser eu, você, nós. Sendo assim, Jennifer Laurence é a “mother”, Javier Bardem é “him”. Ambos habitam a “house” que Jennifer Laurence reformou para que Javier encontre novamente inspirações para o seus poemas. Ah, sim “him” é um poeta conhecido e aclamado pela crítica e adorado pelos leitores.

A partir de agora o texto de mother!  dá lugar a minha experiência. O filme se divide em dois atos. E para mim ficou claro, ao sair da sala de cinema, que estávamos diante de uma leitura da criação do mundo. mother! pode ser Jennifer Laurence, como pode ser também a própria casa fincada numa natureza antes devastada pelo fogo. Talvez por isso mother! esteja no diminutivo. Pode ser aquilo que serve para abrigar algo. Não necessariamente mother precisa ser uma pessoa. Pode ser a casa, pode ser um desejo, pode ser o meio de conseguir alguma coisa. É onde se alimentará e crescerá a obra final.

A câmera inquieta acompanha o calvário de Jennifer Laurence por todos os cômodos da casa. É a visão feminina de sua personagem que nos serve como guia e como testemunha de tudo que irá acontecer. As cores que ela enxerga são escuras, opacas, mesmo que por inúmeras tentativas, ela esteja sempre querendo colocar cor a esse microcosmo. É uma visão turva para um olhar único sobre os fatos.

No primeiro ato temos Jennifer Laurence (e em todo o filme) como nossos olhos. E ela observa espantada, inquieta, inconformada a criação do mundo. “Him” abriga do nada em sua casa Ed Harris, o “man” e sua esposa Michele Pffeifer, a “wonan”. Figuras lascivas, invasoras. Adão e a serpente. Adiante a casa também abriga os filhos de “man” e “wonan”. Uma teatralização de Caim e Abel. A alegoria religiosa proposto por Aronofsky não é explicita. Precisamos seguir adinate para compreender as coisas.

No segundo ato instaura-se o caos! A alegoria das religiões fundamentalistas, da obsessão pelo culto, pelo Criador e pela criatura que está por chegar. Não temos mais o “man” e a “wonan”. Mesmo que você fica esperando os seus retornos é no final que você entende que tais figuras foram importantes na Criação. Agora é a humanidade vinda deles que comandam o show.

A partir do caos o filme te sufoca sem dó. Cada sequência é um incomodo e uma certeza: estamos diante de nossos tempos. Uma crítica social elevada à décima potencia sobre invasão de privacidade, o culto às celebridades, a destruição da mãe natureza e a fé cega materializada na figura de um poeta.

Cria-se  uma histeria coletiva em torno da magia de “him” e sobre o que ele prega. Seria “him” o Deus onipresente. O que tudo vê? Aquele que observa e absorve. Aquele que a todo instante precisa de incentivos criativos para as suas obras? Aquele que faz nascer e depois cria, alimenta, sustenta, mata e recomeça?

Enfim, mother! definitivamente não é um filme para se ver apenas uma vez. Passado o primeiro susto é preciso voltar para dentro daquela casa viva e caminhar novamente com os olhos de Jennifer Laurence à procura de novas nuances, algo que ficou imperceptível e que talvez mude por completo a experiência e recomeçamos a construir um novo abrigo para as novas sensações. Bravo Darren Aronofsky!