O filme brasileiro mais esperado ano, Bingo – O Rei Das Manhãs, veio para conquistar corações dos amantes dos anos 80. Arrisco a dizer que não só de quem viveu naquela época. Chega, ainda, para mostrar, também, os áureos tempos das manhãs infantis nas telinhas brasileiras. E claro, a maior referência do filme, o palhaço Bozo. Não pense que o filme se resume a isto. Ele vai além. E até mesmo quem tem medo de palhaços pode assistir, porque vale a pena.

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Vladmir Brichta (em seu melhor papel), dá vida a história de uma ator que resolve tentar ser reconhecido no seu trabalho. Seu grande foco é dar orgulho ao seu filho e a mãe, também atriz. Sabendo do seu potencial de fazer as pessoas rirem, Augusto tenta um espaço na televisão.

Tentar algo maior e um espaço na empresa de televisão dominante na casa dos brasileiros, ser rejeitado por seus maiorais, fazem com que o Augusto procure em outra emissora uma oportunidade para mostrar seu potencial. Um teste para um palhaço de formato pronto da TV americana, é o que ele precisa e confia para dar a volta por cima. Suas espertezas em improvisos fazem com que ele conquiste a oportunidade de ser o apresentador engessado tão famoso nas telinhas de lá.

Augusto sai do roteiro na tentativa fazer aquele sucesso norte-americano ser um sucesso brasileiro. O sair do roteiro vai além das câmeras. A sua vida também sai. Isto torna o filme envolvente. A fama e o reconhecimento levam o personagem principal a perder os trilhos. Aquele ator mascarado que muda a maneira de ver um programa televisivo, se deixa levar por uma vida e autoconfiança que causa outra reviravolta.
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Um filme quando é bem conduzido nos faz pensar. Seria esta reviravolta na vida do Augusto uma coisa normal da época? Aquele personagem era apenas um muro da sua real personalidade? Seriam os dois parecidos? Ou seria o conflito do personagem ser maior que o ator por trás de um nariz de palhaço? Bem, as respostas destas e outras, e se teve ou não um final feliz, deixarei para que cada um pense a vontade após assistirem o filme.

Um receita boa, sempre infalível, é a vida pessoal de um artista famoso com seus altos e baixos. Isto é perfeitamente tratado em prato cheio. Outros grandes destaques é a direção peculiar e incrível do Daniel Rezende, e a atuação de outra estrela Leandra Leal. O fato de ser uma biografia baseada em história real de Arlindo Barreto (o primeiro ator que viveu Bozo no Brasil) brilha ainda mais aos nossos olhos.

Bingo é um filme redondo. Excelente atuações, excelente história, excelentes atuações (são de aplaudir no fim do filme). É um filme que te deixa nostálgico, curioso, provoca boas risadas e o mais legal: deixa-nos emocionado.

De uma coisa é certa, ao sair dos cinemas após assistir a historia do ator por trás do palhaço Bingo, além da sensação de ter visto um ótimo filme brasileiro, tenho certeza que a curiosidade de ver vídeos antigos do palhaço, rei das manhãs, será inevitável.

Por Flávio Henrique

Bingo: O Rei Das Manhãs, estreia 24 de agosto de 2017 nos principais cinemas.

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