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A música pop nacional nunca teve uma década para chamar de sua. Seriam Pabllo Vittar e Anitta capazes de mudar esta história?

Desde o tempo que eu pude escolher o que escutar, comecei a interessar por música pop. Com o passar do tempo, gostando ainda mais do gênero musical, sempre vi os brasileiros sedentos por ídolos nacionais do gênero pop, solo ou em grupos.
Boa parte da minha adolescência tive em minha cia maravilhas como Madonna, Michael Jackson, PetShop Boys, Spice Girls. Anos depois Christina Aguilera, Britney… No entanto, ídolos pop nacionais existiam poucos. Quase sempre menosprezados pelos próprios brasileiros, ou até mesmo abafados por outros ritmos.
Lembrando de alguns artistas pop nacionais dos anos 90, no tempo da troca das mídias de LP para CD, era muito difícil ter acesso às músicas. Dependendo da cidade, nem na rádio tocava. E quando tocava, ter acesso aos álbuns demorava alguns meses. Após a onda de músicas infantis e o reinado esmagador da Xuxa, sobrou a dupla Sandy e Jr. Suas músicas acompanhavam seus amadurecimentos. Arrastavam um a legião de fãs e vendiam muita música. Era muito bom tê-los numa época que o pop internacional estava voltando a ferver.
No Brasil, o pagode e o axé imperavam nas rádios. As bandas de pop/rock tentavam mais uma respirada na carreira com lançamentos dos seus sucessos nos aclamados acústicos da MTV. No mesmo seguimento Skank e Jota Quest lançavam seus maiores hits. No entanto, o mais legal dos anos 90 era curtir e cantar Mamonas Assassinas.
Na primeira década dos anos 2000, o pop também tentou sobreviver. Cantores e grupos como Kelly Key, SNZ, Wanessa Camargo, KLB, LS Jack, muitos outros davam fôlego ao gênero. As que mais marcaram esta fase, as campeãs de pedidos para voltar, foram grupo ROUGE (que sempre achei que superestimaram a qualidade do grupo, mesmo sendo um grande sucesso). Foi a década que tivemos que despedir de Sandy e Junior, a dupla que ninguém nunca imaginou o seu fim.
Apesar de uma grande variável de música pop, eles foram taxados de bregas na mesma velocidade que iam aparecendo outros como Luka, Felipe Dylon, Kassino… Ao passo que, algo novo misturado com rock ou MPB vinha batalhando espaço na tv e nas rádios. Alguns deles: Pitti; Tribalistas; Ivete Sangalo; o pop/rock nacional colhendo os frutos da fase acústica.
De 2010 pra cá, a onda sertaneja universitária, passando a frente do forró universitário, estavam/estão dispostos a esmagar qualquer gênero (quem mandou não criarem o pop nacional universitário?!) Luan Santana, de forma meteórica, arriscava beber nas fontes mais pop. No início desta década o que mais víamos eram cantores de axé se atrevendo no mundo pop. Sabemos que teve luta, mas não teve vitória.
O pop internacional tentava não ser tão descartável em era digital fortíssima, aparecendo uma cantor por minuto. As canções eram inspiradas em muitas brigas, “shades”, parcerias, rappers, em busca de bons resultados, vendas de singles, álbuns e shows. Toda esta ascensão provocou uma queda no pop nacional, pois acessamos a todo tempo a música deles e viemos de uma temporada de muitos shows internacionais no Brasil.
Eis que nos últimos anos, o pop nacional tenta se livrar dos aparelhos respiratórios com a finalidade de se levantar com dignidade. Vale lembrar que o sertanejo segue muito forte e não muito disposto a ceder espaço para ninguém. Temos nessa tentativa reality shows televisivos para lançar cantores e grupos musicais mais pop.
Para a alegria de muitos, a música pop tomou uma nova cara recentemente. Surgiram Karol com K, Banda Uó, Anitta, Pabllo Vittar e muitos outros. Tem até sertanejos tirando casquinhas do sucesso de alguns. Seria este um indício que o pop brasileiro vai ter o seu período de glória?
Pabllo Vittar e Anitta tem levado seus nomes para as bocas e ouvidos de muitos estrangeiros. Por aqui, rádios, baladas, festinhas já se renderam. Nem eu, nem você podemos negar que eles estão em alta. Andam a todo vapor em suas divulgações, fazendo boas parcerias, gastando com clipes (nível norte-americano), e colecionando uma legião de haters de seus trabalhos, vozes e músicas. Isto que é o bom do pop, que o alimenta e dá mais visibilidade.
Na atual conjuntura, sinto-me incapaz de apostar que esta nova música pop brasileira irá, enfim, ganhar respeito e ter uma boa temporada no topo das nossas paradas. O jeito é esperar e ver o duelo do pop versus sertanejo: de camarote.

Enquanto isto, vem escutar com a Ameixa Japonesa o pop brasileiro que, como diz o outro: deu ruim.

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