assassinatoexpressodooriente

O ano de 2017 sem dúvida foi de adaptações literárias para o cinema. O clássico Assassinato no Expresso do Oriente, da dama do suspense policial, Agatha Christie, é mais uma vez transportado para as telas do cinema, dessa vez pelas mãos do ator e diretor Kenneth Branagh.

Agatha Christie e suas histórias são atemporais. E talvez seja um atrativo a mais para o cinema. Não importa o tempo-espaço, são histórias que nos prende do inicio ao fim. Assassinato no Expresso do Oriente é entre os seus mais de 80 livros, entre romances, contos e peças teatrais, o mais conhecido e por isso mesmo já transformado em filme outras vezes.

A partir daí começa o desafio de Kenneth Branagh de recriar algo já visto e inúmeras vezes lido. A história que acontece entre os vagões do Expresso do Oriente serviu e ainda serve de inspiração para diversas outras tramas do gênero. Acompanhar a saga do metódico, milimétrico e detalhista detetive Hercule Poirot em descobrir quem entre os excêntricos passageiros do trem é o assassino em questão teria que trazer em si algo novo e que ao mesmo tempo mantivesse o ar noir impregnado pela Dama do Crime em todos os seu livros.

Branagh poderia muito bem transportar o crime para os tempos atuais, uma vez que sua história é atemporal. Mas não. O diretor resolveu manter sua história no tempo do livro. Sendo assim, ele se prende à sua direção e a sua atuação, uma vez que assume o papel de Poirot para dar uma nova cara à história. As tomadas dentro dos apertados vagões do Expresso do Oriente ganham diferentes olhares. Podemos destacar o primeiro plano sequencia quando a câmera está de fora do trem e acompanhamos a ação entre dois personagens no seu interior, passando por diversos vagões. Um ritmo certeiro que apresenta toda a pompa do majestoso trem. Ou as diversas tomadas que acontecem com visão da câmera vinda do teto dos vagões. Temos ainda a cena final que nos remete ao quadro da Santa Ceia, de Da Vinci, com uma fotografia impecável. São recursos usados pro Branagh para prender a atenção do público.

Outra boa sacada de Branagh vem justamente da sua criação de Hercule Poirot. Macaco velho dos palcos, como ele só, Kenneth dá ao seu Poirot um ar mais jocoso. Há um humor sutil que quase não observamos no personagem nas diversas histórias em que ele apatece e nem nas outras adaptações cinematográficas. Esse humor quebra um pouco o aspecto gelado que essa versão em alguns momentos se deixa ser atingida.

Essa construção de personagem não é percebida somente em Poirot. Branagh recrutou um elenco de peso para darem vida aos conhecidos personagens: Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Daisy Ridley, Johnny Depp e a dama Judi Dench. A direção assume um ar teatral dando a possibilidade de cada personagem/ator se destacar na hora certa. Não há brilhantes atuações. São atuações honestas, nenhum ator está fora do ritmo ou um tom acima. Estão ali para servir algo maior que é contar uma história.

O roteiro faz pouquíssimas alterações à história original de Agatha Christie e talvez por isso, aos fãs de Assassinato do Expresso do Oriente soe mais do mesmo. Há sim uma fidelização de Branagh ao livro. Diversas cenas são feitas exatamente como descritas por Agatha Christie. Mas para uma nova geração que ainda não explorou o mundo da escritora esse novo Assassinato no Expresso do Oriente pode ser o passaporte ideal para uma viagem pelos mais diversos crimes e suas reais intenções. E tendo Hercule Poirot como condutor desse trem, muitas vezes desgovernado, nunca será uma viagem tediosa.

Deixar uma Resposta