americanahlivro

Vencedor do National Book Critics Circle Award e eleito um dos 10 melhores livros de 2013 pelo The New York Times Book Review, Americanah, da escritora Chimamanda Ngozi Adichie é daqueles livros de leitura necessária e imprescindível para entender o momento social e o porquê de seu surgimento.

Chimamanda faz de Americanah uma obra ao mesmo tempo sendo um romance com tudo que esperamos e crítica social. O seu olhar para a questão racial torna o livro urgente e extremamente importante. Ela parte de uma história de amor arrebatadora para debater questões atuais e universais como imigração, racismo e desigualdade de gênero.

Bem-humorado, sagaz e implacável, conjugando o melhor dos grandes romances e da crítica social, Americanah, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, é um épico da contemporaneidade!

Sobre a autora

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. É autora dos romances Meio sol amarelo (2008)  – vencedor do Orange Prize, adaptado para o cinema em 2013 – , Hibisco roxo (2011) e Sejamos todos feministas (2015), todos publicados no Brasil. Assina ainda uma coleção de contos, The Thing Around Your Neck (2009). Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e apareceu em inúmeros periódicos, como as revistas New Yorker e Granta. Depois de ter recebido uma bolsa da MacArthur Foundation, Chimamanda vive entre a Nigéria e os EUA. Sua célebre conferencia no TED já teve mais de 1 milhão de visualizações (contando..). Americanah teve os direitos para o cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz por Doze anos de escravidão.

Americanah
Chimamanda Ngozi Adichie
Companhia das Letras


emmy2017

Não teve pra ninguém! A 69ª edição do Emmy Awards que premiou na noite de ontem os melhores da TV foi reinado pelas mulheres. Todas as principais categorias vencedoras tinham uma característica em comum: as historias eram sobre elas e as melhores atuações foram delas. Em tempos hipócritas e sombrios, tais vitórias são como uma luz para uma democrática discussão sobre o papel feminino na sociedade e porque tantos não entendem e não “querem” isso.

A safra de concorrentes foi uma das mais fortes dos últimos Emmy’s o que fez a banca de apostas explodir nos últimos dias. Big Little Lies, Handmaid’s Tale, VEEP e Black Mirror – San Junipero foram as grandes vitoriosas da noite nas principais categorias: melhor minissérie, série drama, série comédia e telefilme, respectivamente. E tendo o universo feminino como espinha dorsal de toda a narrativa.

biglittleliesO drama da HBO, Big Little Lies, baseado no livro homônimo de Liane Moriarty, foi a grande consagração da noite. A história sobre os dramas de mulheres de uma cidade envolvidas em um assassinato prendeu a atenção do público em seus sete episódios. Mas BLL era mais do que uma história de quem matou e quem morreu. A violência doméstica, o papel da mulher em uma sociedade machista, a forma de lidar com o sexo, filhos, casamento foram os temas que chamaram a atenção para essa história. Além do principal prêmio da noite, Big Little Lies ainda premiou Nicole Kidman como melhor atriz, Laura Dern, melhor atriz coadjuvante e Alexander Skarsgard, melhor ator coadjuvante.

handmaidestaleOutra obra aclamada pela crítica e pelo público, The Handmaid’s Tale, também baseada no livro de Margaret Atwood, também consagrou Elisabeth Moss como melhor atriz de série drama, Ann Dowd melhor atriz coadjuvante e Alexis Bledel melhor atriz convidada. A história de um mundo distópico onde as mulheres perdem seus valores na sociedade e se tornam meras procriadoras de outras famílias e, um país governado por leis oriundas de uma religião extremista fez o público pensar que talvez esse mundo não esteja tão distante, como um dia chegamos a imaginar.

veepA comédia VEEP já conhecida e queridinha do grande público. Julia Louis-Dreyfus já é veterana como vencedora de prêmios e dessa vez não foi diferente. E mesmo sendo uma comédia com um humor bem peculiar, VEEP consegue tratar de assuntos atuais e totalmente relevantes. São vários episódios que trazem uma mensagem sobre  tempo estranho que estamos vivendo e como a sociedade, cega, está lidando com diversos assuntos.

san-juniperoPara nós do Ameixa, a grande surpresa da noite foi a vitória de San Junipero, um episódio de Black Mirror que entrou na categoria telefilme por estar entre as normas da disputa. Sabemos que as histórias de Black Mirror são densas, pesadíssimas e sem muitas esperanças a cerca do futuro que nos espera. Porém, San Junipero foge dessa “regra” e nos apresenta uma história de amor, que a principio pode ser como outra qualquer, mas que, com a as novas tecnologias pode se estender ainda mais, pode-se também machucar muito mais.

Como se não bastasse tudo isso, ainda estavam no páreo atrizes consagradíssimas e que fazem valer cada minuto ganho em frente à TV para apreciarmos seus trabalhos. Estamos falando de Jessica Lange, Susan Sarandon, Viola Davis, Claire Foy, Evan Rachel Wood, Robin Wright, Carrie Coon, Felicity Hoffman, Reese Whiterspoon,  Judy Davis, Jackie Hoffman e Michelle Pfeiffer. Um conselho: assista as suas series, minisséries e filmes para a TV e não as provoque!


amityvilleodespertar

De tempos em tempos os gêneros cinematográficos se renovam e o terror não fica de fora dessa lógica. Isso se deve muito a visão dos diretores em querer contarem as mesmas histórias de formas diferentes, aos contextos sociais de cada época, ao ritmo do público, as novas tecnologias. Enfim, uma gama de situações do tempo presente que juntas promovem as renovações. Os filmes Raw (2016) e Get Out (2017) são bons exemplos sobre a nova cara do terror.

Essa introdução toda foi apenas para justificar que Amityville – O Despertar, em cartaz nos cinemas de BH, poderia ter sido mais um exemplo dessa renovação, porém não é o que acontece. O filme de Franck Khalfoun preferiu ficar no mais obvio do que se espera de um filme de terror deixando-o entediante e sem razão de ser.

Existe uma grande diferença entre medo e susto. O medo é necessário em qualquer filme do terror. É ele quem leva o filme adiante. É o medo que nos prende àquela história. O susto, quando bem encaixado ao medo, é uma ferramenta preciosa para esse gênero. Mas, o susto pelo susto não convence. Uma sucessão de sustos aleatórios cansa. E é isso o que mais temos em Amityville – O Despertar.

A história é carregada de clichês: Acompanhamos a mudança de uma família para uma nova/velha casa em Amityville, famosa por ter sido o cenário de assassinatos e possessões no passado, afim de darem um melhor conforto ao filho doente. Temos a filha mais velha, revoltada e a primeira a observar que algo não está certo (clichê nº 1), a mãe cética sobre tudo (clichê nº 2), a filha mais nova que conversa com os espíritos (clichê nº 3), o cachorro que sempre é o primeiro a pressentir algo e o primeiro a morrer (clichê nº 4), um médico ou um padre que sempre foge do local (clichê nº 5) e por aí vai. E o problema de tantos clichês é que sabemos o fim de cada um. Um sustinho aqui, outro acolá, mas medo, aquele medo real não sentimos.

Uma pena porque o elenco é bom e de rostos conhecidos. Temos Jennifer Jason Leigh fazendo a mãe Joan, a nova queridinha do público teen, Bella Thorne, Belle a filha mais velha e Jennifer Morrison como Candice, a tia avulsa e totalmente desnecessária na história. São nomes que chamam o público? Com certeza, mas fica-se apenas nisso. As atuações são todas no automático perdendo a única chance do casting salvar o todo.

Deixei o clichê mais importante para o final. Todos nós já conhecemos o que se passou e o que acontece com a família que se muda para a casa demoníaca de Amityville. O clássico Horror em Amityville ( The Amityville Horror), de 1979, foi o primeiro filme de uma série que o seguiram a retratar tais acontecimentos. Vale lembrar que a história original do filme é baseada em fatos reais. Resumindo: Amityville – O Despertar não traz nenhuma novidade sobre o que pode acontecer em quase duas horas de filme com essas novas pessoas na famosa casa nº 112 da Ocean Avenue . Infelizmente o medo e a curiosidade não foram despertados dessa vez.

/center>


feitonaamerica1

É fato: Pablo Escobar é a nova Frida Kahlo da cultura pop. Está em todas: séries, filmes, livros, etc. Embora o icônico “personagem” colombiano não seja o foco principal, ele é a razão de existir de Feito na América ( American Made), novo filme de Doug Liman, que estréia hoje nos cinemas brasileiros, com Tom Cruise ( Barry Seal) sendo a capa e o recheio de todo o filme.

Mais uma prova que Escobar é pop: É a terceira vez que vemos retratada, mesmo que de forma bem romanceada, afinal tem Tom Cruise na jogada, a história de Barry Seal nas telas (já o vimos em Narcos e Conexão Escobar). Um piloto comercial americano, que se torna um traficante, responsável pela definitiva entrada da cocaína de Pablo e de seu Cartel de Medelín em solo americano, ao mesmo tempo em que se torna um espião da CIA para os assuntos referentes às guerras na América Central no final dos anos 70 e inicio de 80.

Feito na América é um eterno começo e recomeço em torno da ascensão meteórica e do poder de Barry Seal diante de todas as situações em que ele está presente. E por isso mesmo o filme de Liam não dá espaço para o aprofundamento das histórias ou um retrato mais sério e verdadeiro da importância do período histórico retratado na obra. É sem dúvida um produto da indústria pop feito para ser visto e apreciado naquele instante em que está na tela e só. Tem uma narrativa explosiva, o que esperamos de todos os filmes de ação. Nada diferente do que Tom Cruise vem fazendo nas últimas décadas.

É inegável que o filme bebeu muito na fonte de Narcos. O fato de Barry ser o narrador da história e por ser essa história girar em torno do surgimento e crescimento do narcotráfico colombiano, imediatamente nos remete às narrações presentes também na série da Netflix. Só que com uma diferença gritante: na série as narrações são recursos para a legitimação dos fatos históricos. Já em Feitos na América, os mesmos recursos são para nos situarmos geograficamente no contexto e para uma tentativa de entendermos um pouco o que de fato pensava Berry Seal sobre tudo isso.

Como sempre, a fotografia, quando se quer retratar situações na América Latina, é carregada de cores fortes. Temos muito tons terrosos para demonstrar que por aqui as coisas são sempre mais quentes. O trabalho do brasileiro César Charlone cumpre à risca a cartilha de “histórias passadas em terras dos hermanos”.

Feito na América é dinâmico, ágil e vale à pena conferir enquanto entretenimento. O sonho americano está mais que glamourizado, mas nada que já não vimos em outras obras. Tom Cruise cumpre bem o papel e seu Barry Seal é cativante, divertido e totalmente fora da casinha. É um filme que não temos dúvidas: realmente foi feito por americanos e para eles.

feitonaamerica2

Ps: Tom Cruise não envelhece? Mais um que renova o pacto todos os anos, hem?

Um pouco mais de:
Doug Liman: No Limite do Amanhã (2014); A Identidade Bourne (2002); Sr. & Sra. Smith (2005)
Tom Cruise: Jerry Maguire: A Grande Virada (1996); Missão Impossível (franquia); Entrevista Com Vampiro (1994)
Temas Relacionados: Conexão Escobar (2016 ); Scarface (1983); Escobar: Paraíso Perdido (2014)

/center>


cleopatra-uma-biografia-stacy-schiff

Nossa dica literária para essa semana é o Best-seller Cleópatra: Uma biografia, de Stacy Schiff, editora Zahar. Considerado por muitos o texto mais fiel que temos sobre uma das figuras mais emblemáticas, misteriosas e fascinantes da história mundial.

Cleópatra fixou sua imagem definitivamente no imaginário da humanidade. Nos dois milênios que se seguiram, após a sua morte, muitos se debruçaram sobre sua história, entre eles o maior dramaturgo, Shakespeare. Imortalizada no cinema por Elizabeth Taylor.

É sob essa mistura de versões – na maioria fantasiosa – que a jornalista Stacy Schiff vai resgatar a mulher atrás do mito. Em Cleópatra: Uma biografia, não encontramos a sedutora insaciável, mas a estadista sofisticada e muitas vezes ardilosa. Lançando mão das fontes mais antigas, a autora separa fato de ficção para reconstruir uma vida que não deve nada em tragédia e esplendor às diversas interpretações posteriores.

Capaz de invocar em detalhes a atmosfera da Antiguidade clássica, Schiff apresenta o verdadeiro papel historio de Cleópatra e mostra que, apesar de ser um dos personagens mais conhecidos da história, nada sabíamos sobre a última rainha do Egito.

“Uma das mulheres mais famosas que já existiram, Cleópatra VII governou o Egito durante 22 anos. Perdeu o reino uma vez, reconquistou-o, quase perdeu de novo, construiu um império, perdeu tudo. Deusa em criança, rainha aos dezoito anos, celebridade logo depois, foi objeto de especulação e veneração, de intriga e lenda, mesmo em nosso tempo. No auge do poder, controlava praticamente toda a costa oriental do Mediterrâneo, o último grande reino de qualquer soberano egípcio. Durante um breve instante, deteve o destino do mundo ocidental nas mãos.” ( Trecho do Capítulo I)

Cleópatra: Uma biografia (Cleopatra (A Life))
Stacy Schiff
Editora Zahar
2010