Cinema: Tatuagem


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O cheiro de alguém que impregna no pensamento e no corpo depois de uma noite. A força desse sentido é tão grande que torna-se quase tocável à medida que a imaginação e o desejo pelo outro se misturam. O cheiro fica impregnado como uma tatuagem. Essa é sensação que traça a linha de desenvolvimento do filme Tatuagem”, que estreia hoje em Belo Horizonte.

Na trama, Clésio Wanderley (Irandhir Santos) lidera a trupe de teatro “Chão de Estrelas”, na década de 70. Ele, em toda sua sabedoria marginal, se vê envolvido com o  jovem militar Arlindo, o Fininha (Jesuíta Barbosa) que chega ao bar para entregar uma encomenda para seu cunhado Paulete (Rodrigo Garcia), e se encanta com o comandante daquele barco de artistas. Assim, Clésio e Fininha começam a se relacionar e paralelamente a história desta trupe de artistas é contada.

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Esse paralelismo entre as histórias poderia ser o trunfo do filme – e na verdade é até certo ponto – mas torna-se o “calcanhar de Aquiles” do longa. Depois da metade, o filme perde o fôlego e a falta de rumo faz com que o ritmo seja comprometido.

Isso, no entanto, não é suficiente para tornar “Tatuagem” um filme ruim. Pelo contrário, o filme é um dos essenciais brasileiros de 2013 e já abocanhou prêmio nos festivais de Gramado e no Rio. Em destaque, as cenas de sexo entre os dois homens são dignas de emoção por retratarem não um romance incansável, mas a realidade e sutilidade do ato. Vale ressaltar também as apresentações que acontecem – em especial a final – que releva o bom e engajado teatro dentro do cinema e as belas canções, como esta abaixo. Bom filme!

Apaixonado pela profissão que escolheu, Vinícius Lacerda é jornalista e acredita que literatura e cinema são, além de entretenimento, uma prazeroso meio de autoconhecimento.

Ameixa Recomenda: Mostra Cinema e Rock’n Roll


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De 04 a 13 de novembro o Cine Humberto Mauro apresenta a mostra Cinema e Rock’n’Roll que exibirá filmes dedicados à ligação entre a música e o cinema. São gravações de shows e turnês importantes de grandes nomes do rock como Bob Dylan, Led Zeppelin, The Rolling Stones e George Harrison. Serão exibidos filmes da década de 1960 e 1970 – como a celebrada obra de D.A. Pennebaker, Don’t Look Back, sobre a turnê inglesa de Bob Dylan em 1965 na qual passou a usar a guitarra elétrica – e também alguns mais recentes como No Direction Home de Martin Scorsese, de 2005 e Shine a Light de 2008.

A entrada será gratuita com distribuição de ingressos meia hora antes de cada sessão!

Confira a programação:

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Abençoada seja


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Não sei se é considerado profanação, mas a reforma que foi realizada na Igreja Broerenkerk foi fantástica. Localizada na cidade de Zwolle, na Holanda, a igreja agora abriga uma loja, um escritório de restauração e um espaço reservado para exposições. Foram mantidos muitos detalhes da arquitetura original, e as novas instalações não intervém bruscamente no projeto original.
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Nunca imaginei um tipo de intervenção como essa em uma igreja, já pensou isso sendo feito aqui! Oremos.
 
Via: bkpunt.nl

Cinema: Anos Incríveis


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Estava ansioso para ir ao cinema quando assisti ao trailer do filme francês “Anos Incríveis” (2012) que continua como pré-estreia em Belo Horizonte. A pressa me fez concluir que o filme tratava de uma televisão clandestina formada por reacionários franceses de esquerda. Achei e interessante e resolvi ir ver.

Depois de alguns minutos de filme, vi que não estava errado, porém, percebi que havia apenas identificado o pano de fundo do longa. Na verdade, o filme é uma comédia que mostra a busca de Vitor (Félix Maoati) por seu sonho de se tornar um diretor de cinema..

Ao sair do filme me senti leve e nostálgico. A primeira sensação se deve ao fato de ter dado algumas sinceras gargalhadas durante a exibição. A segunda foi porque lembrei daquela fase no início da juventude em que os sonhos e ideais parecem tão fáceis de alcançar que a palavra obstáculo começa a não fazer sentido.

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Em “Anos incríveis”, durante 112 minutos, o amor e crença do personagem principal são o gás do roteiro que somado as cenas hilárias – com destaque para a atriz Sara Forestier – fazem dessa comédia um bom programa para este sábado à noite – até que ele estreie definitivamente por aqui.

Apaixonado pela profissão que escolheu, Vinícius Lacerda é jornalista e acredita que literatura e cinema são, além de entretenimento, uma prazeroso meio de autoconhecimento.

Crônica: Precisa-se de espaços vazios


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Por Rita Lopes*

Minha amiga faz faxina anual de gente. Ela lima pessoas improdutivas e excessivas, coloca-as numa lixeira imaginária e pluft! Deleta o grupo da rotina e da memória. Material humano que considera duvidoso, armadilha diária que prefere logo eliminar. Já eu faço faxina constante de coisas. Quando elas começam a se acumular no armário, eu me assento em frente à porta aberta, respiro e escolho aquelas a deserdar.

Objetos igualmente se tornam improdutivos e excessivos. E passá-los à frente, abrir mão do que nunca se usa não é só uma atitude de solidariedade. É também uma forma de aceitar a decadência, a finitude da matéria, o momento em que ela se mostra inútil em nossas vidas, mesmo que tenhamos investido muito nela. Eu morro, tu morres, ele morre, as coisas morrem.

Fechei a porta e, depois de desapegar, restaram-me muitos espaços vazios. Isso é bom. Assim na urgência, quando eu precisar, eles já estarão lá.

 

*A autora é jornalista, locutora e colaboradora do Ameixa Japonesa, como cronista.

 

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