A maratona de cerimônias de prêmios cinematográficos começou e ficamos como? Ansiosos, histéricos, apostamos o que não temos nas bolsas de apostas… Essas coisas corriqueiras. E numa dessas conversas relembramos algumas trilhas sonoras que de tão boas ficaram para a posteridade. Dessas lembranças saiu nossa lista da semana: 5 trilhas sonoras de filmes que você pode encontrar no Spotify. Cata… melhor, ouça !

cruelintentions

1 – Cruel Intentions: Em 1999 Cruel Intentions (Segundas Intenções) chegou aos cinemas e se tornou uma febre entre os adolescentes daquela época. Afinal, o filme era uma adaptação do romance do século XVIII, Les Liasions Dangereuses, de Choderlos de Laclos, trazido para os tempos atuais estrelado pelos queridinhos da época: Sarah Michelle Gellar, Ryan Phillipe, Reesse Witherspoon e Selma Blair. A trilha sonora é uma compilação de tudo que estávamos ouvindo em 1999: “Every You Every Me” (Placebo); “Praise You” (Fatboy Slim); “Bitter Sweet Symphony” ( The Verve), entre outros. É ou não é uma trilha de respeito? Ouça toda a trilha aqui

mammamia

 – Mamma Mia: Qual a chance de um filme inspirado nas músicas do ABBA de dar errado? E somado a isso botando a rainha do mundo, Meryl Streep, pra cantar boa parte da trilha? Sucesso instantâneo e eternizado. O elenco de peso deu charme para as versões de “Mamma Mia”; “Honey, Honey”; “Dancing Queen”; “Take A Chance On Me” e por aí vai. E para os fãs, a sequencia de Mamma Mia deve estrear no final desse ano. Já podem separar as lantejoulas e escutar a trilha por aqui!

dirty dancing

3 – Dirty Dancing: Lançado em 87, Dirty Dancing fez que 10 entre 10 adolescentes suspirassem por Patrick Swayze. A trilha sonora traz sucessos dos anos 50 como, “Be My Baby” (The Ronettes); “You  Don’t Own Me” (The Blow Monkeys), entre outros. Além da sempre coreografada em casamentos “(I’ve Had) The Time Of My Life” e “She’s Like The Wind”, cantada pelo próprio Patrick Swayze. Olha eu não sei vocês, mas é passar propaganda de Dirty Dancing na Sessão daTarde pra todos aqui do Ameixa cancelarem seus compromissos e apresentarmos atestados médicos. Não perdemos! Arraste os móveis da sala e escute a play!

across the universe

4 – Across The Universe: Assim como Mamma Mia, Across the Universe não tinha como dar errado. O filme é todo com trilha sonora dos grandes sucessos dos Beatles cantadas pelo seu elenco principal. A história de amor com uma boa dose de psicodelia dos anos 60 foi o cenário ideal para “All My Loving”; “I Want To Hold Your Hand”; “Come Together”; “I Am The Walrus”; “Revolution”, entre outros sucessos. Cata

almost famous

5 – Almost Famous: Dirigido por Cameron Crowe, o filme retrata o cenário do rock dos anos 70. Um jovem de 15 anos consegue seu primeiro emprego na revista Rolling Stone e como primeira pauta deve acompanhar a banda Stillwater em sua primeira excursão pelos Estados Unidos. Entre uma cidade e outra a trilha passeia por clássicos do rock: “Sparks” (The Who); “Feel Flows” (The Beach Boys); “That’s The Way” (Led Zeppelin); “I’ve Seen All Good People” (Yes); “Tiny Dancer” (Elton John). O filme faz uma justa homenagem a uma das épocas mais criativas do rock mundial. Escute toda essa trilha maravilhosa por aqui!

Todas essas trilhas vocês encontram disponíveis no Spotify. Bom som!


callmebyyourname

Finalmente estréia hoje em circuito nacional, Call Me By Your Name (Me Chame Pelo Seu Nome), do italiano Luca Guadagnino. O filme recebeu criticas positivas por todos os festivais que se apresentou e começou 2018 com indicações ao Globo de Ouro, Critics Choices e ao que tudo indica será lembrado também no Oscar desse ano.

Baseado no romance de André Aciman, Call Me By Your Name nos leva para o verão de 83 ao norte da Itália para contar a história de Elio (Timothée Chalamet), um adolescente de 17 anos, filho de um professor de cultura Greco-romana ( Michael Stuhlbarg) que sempre recebe em sua casa de verão estudantes do mundo todo. Em 83, os Perlman’s recebem Oliver (Armie Hammer), a personificação da beleza grega que atrai imediatamente todos os olhares da casa, principalmente a de Elio.

A direção de Guadagnino poderia seguir por dois caminhos e transformar Call Me By Your Name num filme melodramático e direcionado apenas ao público gay. Por sorte e também graças ao roteiro de James Ivory, o filme está longe de ser meramente classificado como apenas uma história homoafetiva. Call Me By Your Name é muito mais que isso.

Trata-se de um filme de descobertas da adolescência, mas sem rótulos, preconceitos ou medos. Até porque, Elio foi criado em uma família multicultural onde esses questionamentos não caberiam. Elio e Oliver se colocam como objetos de desejo um do outro assim que se conhecem. O ponto de partida é a admiração mutua entre eles. E a curiosidade em conhecer mais, em experimentar mais um do outro, um pelo outro, só aumenta no decorrer do bucólico mas colorido verão de 83.

Como na maioria dos filmes que retratam um relacionamento homoafetivo, em Call Me By Your Name a sexualidade não é a questão principal da discussão. Ela é sim um meio para falarmos sobre desejos, admiração e um encantamento extremamente erótico. E ela toca cada um de uma forma diferente, o que faz que o desenrolar dessa história possa parecer um pouco triste, mas que no fundo não é ou será.

Oliver, assim como qualquer estudante dedicado, estuda com delicadeza seu objeto de estudo, o aproxima do seu mundo, o guarda em memória com amor. Mas o deixa lá, no perfeitamente “intacto” e retoma sua história real. Já Elio, aprende com seu objeto de estudo e desejo que toda decisão inevitavelmente vem acompanhada de muito prazer e também de dor e, que as descobertas estão apenas começando.

Call Me By Your Name é um filme de sensibilidade honesta para falar de sentimentos. Não cai no senso comum e não apela para recursos dramáticos. É delicado com seus personagens e seus desejos revelados ou ocultos. É um olhar maduro sobre os ritos de passagem que todos nós estamos sujeitos em qualquer momento das nossas vidas. Basta estarmos abertos a isso.


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Uma das promessas de filmes de terror/suspense para o ano de 2018 é o filme Sobrenatural – A Última Chave. Com estreia para esta quinta-feira (18/01), este quarto capítulo da franquia Insidious mostra mais um episódio na vida da investigadora paranormal Elise Rainer (Lin Shaye). Passado dessa vez no ano de 2010, o filme conta sobre a volta de Elise para a casa em que morava quando criança para enfrentar seus primeiros demônios.

Sobrenatural é considerada uma das mais bem sucedidas franquias de suspense da década. E mesmo em seu quarto filme ainda se mostra com muito fôlego. O encontro de Elise com os demônios de sua infância, na casa em que foi criada, pode criar uma expectativa do fim da era Sobrenatural. Entretanto, o roteiro bem apresentado, envolvente e maduro vai contra o óbvio que todos os outros filmes trouxeram e traz sinais de que a história poderá continuar.

Um bom diferencial deste filme em relação aos anteriores é a agilidade da história. O filme é mais rápido. As cenas de sustos não são longas. É mérito do casamento de um bom roteiro (rápido e direto, exatamente como deve ser nos dias de hoje) e uma direção com cenas curtas e objetivas. Nada daquelas cenas que fazem o espectador pensar: mas por que não fizeram isto? Até porque o filme é de 2017 e se passa em 2010, ano do lançamento do primeiro filme da franquia. Como o acesso a filmes deste gênero é mais fácil hoje em dia, é preciso mostrar uma novidade. Ponto pra este filme.

Outro diferencial é a personagem Elise mais séria, ainda que ao lado dos propensos caçadores de fantasmas, digo, ajudantes da Elise, Tucker (Angus Sampson) e Specs (Leigh Whannell). Ficou somente para eles o tom de comédia deste suspense. O filme ganhou mais credibilidade por isto. Saiu daquele formato anterior de: temos um demônio, vamos chamar Elise e seus ajudantes desajeitados.

Para quem não viu nenhum dos filmes anteriores, não se preocupe. O filme é muito redondo. Em nenhum momento você ficará perdido na história. Para os fãs destes filmes, fiquem tranquilos, pois há referências aos filmes anteriores, só que de forma mais sutil. As cenas dos anteriores que aparecem são muito bem explicadas para o coleguinha que não assistiu às histórias anteriores.

Podem correr para os cinemas já que este filme já chegou honrando o gênero. E deixo a responsabilidade para vocês de concluírem se  terminará com A Última Chave.

 


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O Destino de Uma Nação (Darkest Hour), mais novo filme de Joe Wright ( Anna Karenina; Orgulho e Preconceito), estréia hoje nos cinemas com o peso do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Drama para Gary Oldman, conquistado no último domingo, que faz um Winston Churchill acima de qualquer suspeita.

E o filme é isso mesmo: Winston Churchill e seus primeiros meses como Primeiro-Ministro Britânico. O Destino de Uma Nação não se trata de uma biografia completa – nascimento até a morte – de Churchill, mas um recorte de um dos momentos mais importantes da história recente mundial, quando Churchill tem como primeira missão: aceitar um canhestro acordo de paz com Hitler ou se posicionar contra a avançada alemã pela Europa. Além de armar e coordenar a volta do exercito inglês que se encontra cercado pelas tropas Hitler em Durkink, França

Coincidentemente em 2017 estreou Durkink, de Christopher Nolan, que retrata esse mesmo instante histórico, porém da perspectiva das tropas britânicas. O Destino de Uma Nação concentra-se nos bastidores dessa operação e na figura mitológica de Winston Churchill que vai de persona non grata no Parlamento Britânico, inclusive até mesmo dentro seu partido, a principal, temido e admirado Primeiro-Ministro inglês e uma das figuras históricas mais lembradas.

A direção de Joe Wright é elegante. Planos, iluminação e fotografia estão em sintonia e soberbas  para retratarem o peso sóbrio que a política inglesa estava passando naquele momento. Porém peca na falta de ação, uma vez que por se basear em fatos verídicos sabemos como se deu o fim disso tudo. Então inevitavelmente os olhos se voltam para Gary Oldman e sua composição de Churchill.

Churchill, por ser uma figura tão curiosa, sempre roubou os holofotes para si. E por isso, e graças a série The Crown, fincou os pés na cultura pop contemporânea. Gary Oldman é um ator acima da média e usou de todos os artifícios dramáticos para entregar um Winston Churchill magistral. Merece todas as honras e todos os troféus que conseguir nessa trajetória de premiações.

Fica impossível em quase todos os filmes que retratam passagens históricas e personagens idens uma não romantização dos fatos. A realidade é muito mais cruel que se imagina e nem sempre, por mais que personagens e fatos sejam interessantes, a verdade nua e crua fica bem numa tela de cinema.

Dessa forma o roteiro de O Destino de Uma Nação não foge a regra e em alguns momentos há um exagero ao retratar as imperfeições de Churchill, mas nada que estrague o prazer de assistirmos a um ótimo trabalho de Gary Oldman, uma direção pomposa de Joe Wright em cima de um dos mais complexos e apaixonantes personagens da história: Winston Churchill.


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Estreia hoje nos cinemas de BH, o filme Corpo e Alma, da diretora húngara, Ildikó Enyedi. Na história, Maria (Alexandra Borbély) e Endre (Morcsányi Géza) são colegas de trabalho em um abatedouro. Ambos traçam características que os afastam da sociedade e descobrem em diversos diálogos que sonham as mesmas coisas durante o sono. A partir daí decidem tornar realidade os sonhos no mundo real.

A diretora Ildikó Enyedi busca por meio do roteiro de Corpo e Alma traçar um paralelo entre sonho e realidade para contar uma história de amor entre duas pessoas que possuem uma visível e incomoda falta de traquejo social. Endre, não quer mais viver um novo amor por acreditar que a solidão o protege das dores emocionais e físicas que um relacionamento pode trazer. Já Maria, nem admite tal possibilidade, uma vez que criou uma barreira entre ela e o restante do mundo.

Pois bem, usando a metáfora dos sonhos, ambos se encontram nele como animais e isso faz toda diferença. Uma vez assumindo a personalidade de um cervo e um veado, Maria e Endre estão isentos de se submeterem às normas sociais que somos obrigados a seguirmos para o convívio em sociedade. Sendo animais, o relacionamento é mais seco, áspero e direto.
Porém, quando decidem levarem para o plano real o relacionamento que possuem nos sonhos, as coisas não serão fáceis. Ambos precisam primeiro se inserir de alguma forma na sociedade, conviverem com suas dores passadas, aprenderem a comunicar, a falar, tocar, olhar e sentir os seus sentimentos e os dos outros.

A narrativa é extremamente lenta. Diversas tomadas silenciosas, principalmente no plano dos sonhos, o que pode causar um desconforto no público, pois tudo demora a acontecer. Se Corpo e Alma fosse uma oitava acima em agilidade seria uma obra completa. Um roteiro criativo que infelizmente se torna um sonífero e um entediante entretenimento.