UNTITLED JOHN WELLS PROJECT

Pegando Fogo trás um Bradley Cooper numa versão cinematográfica de Hell’s Kitchen

Nunca se falou tanto em gastronomia no Brasil como agora. Tamanho boom pode ser visto pelos inúmeros de programas do gênero na TV, lido pelas centenas de publicações dedicadas à boa comida e vivenciado pela cartela de opções de cursos que temos por aí. Talvez por isso, Pegando Fogo (Burnt), que estreia hoje nos cinemas, caia como uma luva no paladar gosto do público.

No filme, Bradley Cooper vive o arrogante e invejável chef de cozinha, Adam Jones, que no passado viu a sua fama e credibilidade irem pelo ralo devido ao seu temperamento e ao uso de drogas. Agora, o chef corre atrás do tempo perdido, mas para isso deve reencontrar com o seu passado e ir atrás da tão sonhada, por todos os chefs, 3 estrelas do guia Michelin.

Na primeira parte de Pegando Fogo, você tem a sensação de que “já vi isso em algum lugar”. E você não está enganado. Adam Jones é a representação de um estilo de chef que a mídia impôs ao nosso dia a dia. O chef carrasco, imortalizado por Gordon Ramsay e seu Hell’s Kitchen. Como entretenimento essa tipo de personalidade dentro de uma cozinha é um deleite para olhos de quem assiste. Mas não se enganem a realidade é completamente diferente. Ela se aproxima do que se torna Adam Jones no decorrer das ações que o filme apresenta.

Pegando Fogo é como uma degustação à la carte. De cara você olha o cardápio e se estranha um pouco com aquela explosão de sugestões. Mas quando as guarnições começam a ser servidas vamos nos ambientando com aquela proposta sugerida pelo chef, neste caso, do diretor John Wells, que vai desconstruindo e reconstruindo o personagem de Bradley para que possa ser degustado pelo público.  Para contrabalancear tamanha arrogância do seu personagem principal, o filme está cercado por personagens secundários pra lá de cativantes e não menos interessantes.

UNTITLED JOHN WELLS PROJECT

Bradley Cooper pode até ser o queridinho do momento em Hollywood, mas sempre o vejo ligado no automático e seus personagens nada são do que a continuação de outro que ficou no passado. Porém, consegue segurar as rédeas das ações e momento algum deixa de ser o fio condutor do arco narrativo. E, claro, conta com a ajuda de uma inspirada Sienna Miller, fazendo Helene,  uma sous chef que não fica em nada atrás do seu mentor. Daniel Brühl, como Tony, um maitre e pau para toda obra para as loucuras de Adam e  Emma Thompson, responsável por colocar os fantasmas de Adam Jones em seus devidos lugares. Não podemos esquecer  da aparição relâmpago de Uma Thurman, fazendo uma respeitada crítica gastronômica, que deixa um gostinho de quero mais.

Pegando Fogo tem todos os elementos para ser uma diversão num final de tarde. É leve, com um humor londrino e carregado de emoção nas doses certas. Vá bem alimentado se não quiser ficar salivando durante o filme. Os pratos que passeiam pela história são a cereja do bolo. A sobremesa que fecha com chave de ouro qualquer degustação.

Por Pierre Menezes, Jornalista e Chef de Cozinha viciado em cultura pop.


Miguel Faria Jr e Chico Buarque 2_ Chico - Artista Brasileiro

Chico – Artista Brasileiro, documentário que estreia hoje nos cinemas, busca nas memórias do seu próprio personagem o fio condutor dessa história.

Chico – Artista Brasileiro, filme de Miguel Faria Jr. entra no circuito a partir de hoje e gira todo ele em torno das memórias afetivas de um dos maiores compositores da música brasileira. O filme, narrado pelo próprio Chico, conta a história dos 70 anos do artista e os 50 anos de sua obra. De cara, Chico Buarque diz que correr à memória e a imaginação para contar sua história. Uma não caminha sem a outra.

Em termos de documentário, a obra não traz nada de frescor. Segue a cartilha de acertos de um personagem central narrando sobre quase tudo que a memória e sua imaginação permitem, entremeado por depoimentos de amigos e colegas, entrevistas de arquivo e por números musicais escolhidos e gravados especialmente para ajudar a contar a história.

Então o que faz Chico  – Artista Brasileiro uma obra a ser vista? Fácil, o seu personagem. Torna-se impossível desviar o olhar enquanto Chico Buarque relembra fatos da sua vida e sua intima e quase velada opinião sobre sua intimidade e o mundo que o cercava em cada período. Com a permissão do personagem principal podemos observar e se apropriar de histórias que até então ficavam no nosso imaginário.

Frame Chico - Artista Brasileiro 2

Chico Buarque é um reservado por natureza. O trabalho de Miguel Faria Jr. foi justamente deixar o artista a vontade para falar de assuntos íntimos como a sua relação com pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, o seu casamento com Marieta Severo, as aflições do artista quando a inspiração não vem e a busca por informações pelo seu irmão alemão. Todos esses fatos se mostram fundamentais para a construção da obra artística de Chico Buarque.

Se como não bastasse as quase 2 horas de prosa do artista, em momentos fundamentais do filme somos presenteados com performances inspiradas de outros cantores para as músicas de Chico. Carminho, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Monica Salmaso, Laila Garin, Péricles, Moyseis Marques, Adriana Calcanhoto e Martnália emprestam voz e emoção o que deixa tudo mais gostoso de ser acompanhado.

Chico – Artista Brasileiro, vale não só pelo registro em si, mas também pelas suas sutilezas e delicadezas. Chico Buarque é um artista fundamental para a cultura brasileira. Seja por meio de seus romances, peças teatrais, letras e melodias e o que mais vier de sua imaginação.

CHICO – ARTISTA BRASILEIRO

Direção – Miguel Faria Jr
Elenco – Chico Buarque
Roteiro – Miguel Faria Jr. e Diana Vasconcellos
Montagem – Diana Vasconcellos, ABC
Direção de fotografia – Lauro Escorel, ABC
Narração em off: Marília Pêra
Direção Musical – Luiz Cláudio Ramos
Direção de arte – Marcos Flaksman
Figurinos – Marília Carneiro
Pesquisa – Antônio Venâncio
Produção – 1001 Filmes
Coprodução: Globo Filmes e Sony Pictures
Distribuição: Columbia Pictures
Duração: 110 minutos

Por Pierre Menezes


27a

 

Começa amanhã (03.09) mais uma edição do INDIE Festival! Durante o festival serão exibidos 65 filmes, de 21 países diferentes, divididos em: Mostra Mundial, Indie Brasil, As Invenções de Jairo Ferreira, Clássica, Retrospectiva Kira Muratova e Retrospectiva Sharunas Barta. PARA VER A PROGRAMAÇÃO COMPLETA, CLIQUE AQUI!

 

A REBELDIA DOS 15

O INDIE Festival completa seus 15 anos de idade aqui e agora. E talvez, seja ainda um pequeno rebelde. Sempre em busca de reflexões sobre o cinema independente. Sem querer corresponder a nenhuma lógica externa de mercado ou à regras que determinem seu formato e escolhas, chegamos em um momento crucial de mudanças.

Para comemorar este momento, serão exibidos 65 filmes, de 21 países, com entrada franca em todas as sessões.

Queremos voltar no tempo com as retrospectivas e avançar para além do contemporâneo, ao mesmo tempo. Queremos ver nosso público instigado. Desejamos que o menino de 18 anos que veio ao primeiro INDIE em 2001, pela primeira vez em Belo Horizonte, retorne, física ou mentalmente, ao INDIE hoje com seus 33 anos. E que este menino seja um homem com um olhar crítico para o cinema como um todo. Queremos que o cinema seja uma escola livre para o pensamento crítico. Queremos que algo de fato aconteça.

(Francesca Azzi, Diretora do INDIE Festival)

 

INFORMAÇÕES
SITE www.indiefestival.com.br
TWITTER @indiefestival
FACEBOOK facebook.com/indiefilmfestival

CINEMAS

CINE BELAS ARTES CINEMA (Sala 1: 138 lugares | Sala 2: 123 lugares | Sala 3: 76 lugares)
Rua Gonçalves Dias, 1.581 | Funcionários

CINE HUMBERTO MAURO (129 lugares)
Av. Afonso Pena, 1.537 | Centro

CINE SESC PALLADIUM (Sala Professor José Tavares de Barros: 82 lugares)
Av. Augusto de Lima, 420 | Centro

 


elvis-presley-mostra-de-cinema-bh

A misteriosa morte de Elvis Presley, em 16 de agosto de 1977, é fato lembrado pelos fãs do Rei do Rock em todo o mundo. O Cine Humberto Mauro, em parceria com o Clube Elvis, de Belo Horizonte, realizam, até 19 de Agosto , a mostra This Is Elvis, em homenagem ao músico.

Na programação, filmes estrelados por Presley, como o primeiro de sua carreira Ama-me com ternura, filmado no mesmo ano da primeira gravação oficial em estúdio do cantor, Elvis é assimPrisioneiro do rock and rolle Seresteiro de Acapulco, além da cinebiografia Elvis, dirigida por John Carpenter e estrelada por Kurt Russell.

Paralelamente às exibições, o Cine Humberto Mauro também fará, na entrada do cinema, uma exposição de objetos relacionados ao cantor, em parceria com o fã-clube mineiro que também ajudou na curadoria da mostra.

Para ver a programação clique aqui! 

Captura de Tela 2015-08-11 às 20.22.03

 


mostra-do-filme-livre

Estão abertas – até o dia 25 de maio – as inscrições para a Oficina de Vivência Audiovisual durante a Mostra do Filme Livre 2015 em BH, que acontece no CCBB-BH. A oficina será ministrada pelo diretor Christian Caselli, realizador independente carioca que já dirigiu, roteirizou e editou mais de 40 curtas-metragens e videoclipes. Seus trabalhos mais conhecidos são “O Paradoxo da Espera do Ônibus”, “Proibido Parar” e “Cinco Poemas Concretos”. Também é o responsável pelas vinhetas da MFL e já ministrou oficinas em diversos estados do Brasil. Mais informações no material abaixo. Inscrições em http://bit.ly/1R3Qs0q.

Sobre Mostra do Filme Livre

A Mostra do Filme é a mais longa mostra brasileira focada na difusão da produção autoral e independente nacional, com mais de 200 filmes de todos os gêneros, formatos e durações. Confira a programação completa em www.mostradofilmelivre.com