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No ano em que comemora 15 anos de história, a Mostra de Cinema Permanente Curta Circuito fecha a programação do primeiro bimestre com duas sessões para lá de especiais. A primeira acontece na próxima segunda-feira, dia 25 de abril, às 20h, como de costume, no Cine Humberto Mauro onde será exibido o documentário Moscou (Eduardo Coutinho, 2009), seguido de bate-papo com os atores Chico Pelúcio e Inês Peixoto, integrantes do Grupo Galpão. A segunda sessão, que acontece pela primeira vez na Benfeitoria, mistura cinema e música, com apresentação da banda Djalma Não Entende de Política e exibição do filme O Filhos de João, Admirável Mundo Novo Baiano (Henrique Dantas, 2009), na quarta-feira, dia 27 de abril, a partir das 19h. Tudo, como sempre, com entrada franca.

Dando continuidade a temática Cinema e Teatro, trabalhada nas primeiras sessões de 2016, o Curta Circuito apresenta Moscou, documentário dirigido pelo grande cineasta Eduardo Coutinho, falecido em 2014. O filme registra três semanas de ensaio do Grupo Galpão durante a montagem da peça “As Três Irmãs”, de Anton Tchekhov, que premeditadamente nunca chegaria aos palcos. Lançado em 2009 em meio à várias polêmicas, Moscou transborda as barreiras do documentário e leva o diálogo entre o real e o fictício para um novo patamar. (Leia mais sobre o filme no texto anexo do crítico de cinema Francis Vogner).

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Moscou |Eduardo Coutinho, RJ, 2009, 78’
Em Belo Horizonte, o Grupo Galpão e o diretor de teatro Enrique Diaz se dispuseram a enfrentar o desafio de “montar”, em três semanas, a peça “As Três Irmãs”, de Anton Tchekcov. O filme é composto de fragmentos dos workshops, improvisações e ensaios de uma peça que não teve e nem terá estreia.

Sessões na Benfeitoria_ Recordar é Viver
Dentro das comemorações de aniversário da mostra, que não poderia passar batido, o Curta Circuito fará sessões especiais na Benfeitoria com o tema: Recordar é viver. A ideia é trazer de volta alguns dos filmes que passaram pela programação durante esses 15 anos de trajetória. O primeiro escolhido é Filhos de João, o admirável mundo novo baiano, que retrata a história dos Novos Baianos e a relação de Pepeu Gomes, Moraes Moreira e o resto do grupo (exceto Baby do Brasil que não autorizou a exibição de seu depoimento) com o músico João Gilberto. O documentário, dirigido por Henrique Dantas, levou o Prêmio Especial do Júri e Prêmio do Júri Popular no Festival de Brasília. O filme será exibido às 20h (o local abre às 19h), seguido da apresentação da banda Djalma não Entende de Política, em formação especial, tocando apenas Novos Baianos. A entrada é gratuita. O convite é para o público entrar no clima da Tropicália e ir à caráter. A melhor caracterização de Novos Baianos vai ganhar brindes do Curta Circuito e um shot especial da Benfeitoria.

 

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Filhos de João, o admirável mundo novo baiano| Henrique Dantas, RJ, 2009, 75′
Um panorama da música popular brasileira dos anos 60 e 70 através do grupo musical Novos Baianos, que marcaram a música popular brasileira utilizando-se de vários ritmos musicais que vão de bossa nova, frevo, baião, choro, afoxé ao rock n’ roll. Uma retrospectiva do estilo de vida comunitário adotado por seus integrantes e a influência sofrida pelo grupo do cantor João Gilberto.

Sobre o Curta Circuito – Cinema de Afeto
Com o tema Cinema de Afeto, o Curta Circuito completando 15 anos de atividade em 2016 e tem muito o que comemorar. Durante sua trajetória, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 70 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. A mostra, que a partir deste ano é dirigida por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial, é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Tendo já atuado em 18 cidades de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra hoje foca no público belo-horizontino e tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, entre outros. O Curta Circuito atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando no restauro de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM RJ. A iniciativa recebeu Mention do D’Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.

 

Filme | Moscou + bate-papo com Chico Pelúcio e Inês Peixoto
Data | 25 de abril (segunda-feira)
Local | Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes
Horário|20h
Entrada gratuita_ Sujeito a lotação do espaço
Classificação Indicativa| 16 anos
Capacidade da Sala | 129 lugares (ingressos poderão ser retirados meia hora antes da sessão)

Filme | O Admirável Mundo Novo Baiano + Djalma não entende de política
Data | 27 de abril (quarta-feira)
Local | Benfeitoria _ Rua Sapucaí, 153
Horário|19h (abertura do local)
Entrada gratuita_Sujeito a lotação do espaço
Capacidade | 130 pessoas


Convite

Iniciando as exibições do ano, a Mostra de Cinema Permanente Curta Circuito apresenta, durante o primeiro bimestre da programação de 2016, filmes brasileiros que estabeleceram pontos de conexão entre cinema e teatro. A primeira sessão acontece no dia 21 de março (segunda-feira), como de costume, no Cine Humberto Mauro, agora em novo horário às 20h, trazendo o longa “Toda Nudez será castigada” (1973), ganhador do Urso de Prata, em Berlim. O filme é uma adaptação da peça de Nelson Rodrigues, levada com sucesso para o cinema pelo diretor Arnaldo Jabor. Após a exibição, haverá um bate-papo com a musa do cinema nacional dos anos 1960 e 1970, Darlene Glória – que interpreta a personagem Geni- e com a pesquisadora e crítica cinematográfica, Andrea Ormond, autora do blog Estranho Encontro.

Completando 15 anos de atividade, o Curta Circuito tem muito o que comemorar. Durante sua trajetória, a Mostra de Cinema Permanente, que exibe exclusivamente filmes nacionais, sempre com entrada franca, conseguiu reunir um público de mais de 70 mil pessoas, que estiveram presentes em quase cinco mil sessões. Em 2016, a mostra traz novidades, começando pela direção, que sai das mãos de Cláudio Constantino e vai para a batuta de Daniela Fernandes, antiga coordenadora de programação do projeto e idealizadora da Le Petit Comunicação Visual e Editorial. A equipe também mudou e passa a ser predominantemente feminina, o que dialoga bem com o tema proposto para este ano: Cinema de Afeto.

Toda a programação será permeada pela relação emocional provocada pelo cinema, seja pela construção de memória ou associação afetiva, tendo como guia o olhar feminino. A temática tomou conta de todos os aspectos da mostra, que conta com novos parceiros, como a ilustradora Anna Cunha – que desenhou os personagens presentes no material gráfico – e a produtora de vídeo Par Filmes, responsável pela nova vinheta. Também como parte das novidades das comemorações dos 15 anos, o Curta Circuito irá reexibir filmes que marcaram a história da mostra, com sessões pontuais que acontecerão pela primeira vez na Benfeitoria. Ainda dentro das ações comemorativas, a projeto irá confeccionar produtos inspirados no cinema brasileiro que estarão à venda, em breve, na loja colaborativa da Mooca.

Sobre o Curta Circuito
O Curta Circuito é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos. Tendo já atuado em 18 cidades de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pará, a mostra hoje foca no público belo-horizontino e tem como “sede” de suas exibições o Cine Humberto Mauro. Já passaram pelo projeto convidados como Nelson Pereira dos Santos, Zé do Caixão, Sidney Magal, Othon Bastos, Antônio Pitanga, entre outros.

A mostra atua também na preservação e memória do cinema brasileiro, trabalhando no restauro de filmes, em parceria com a Cinemateca do MAM RJ. A iniciativa recebeu Mention do D’Hounner em Milão, em 2013, pela restauração do filme “Tostão, a fera de Ouro”, da década de 1970.

Toda Nudez será castigada | Arnaldo Jabor, RJ, 1972, 107’
Fonte da Cópia: Cinemateca Brasileira. Classificação: 18 anos
Exibição em 35mm

Enquanto sua esposa agoniza, pai de família promete ao filho que nunca mais terá outra mulher. Seu irmão, no entanto, que vive às suas custas, o apresenta a uma bela prostituta e os dois apaixonam-se. Uma das mais brilhantes adaptações da obra de Nelson Rodrigues para o cinema. Arnaldo Jabor revigora o melodrama e coloca sob um novo cenário – o ambiente familiar da burguesia carioca – questões fundamentais para o Cinema Novo nos anos 1970. Contando com interpretação primorosa da atriz Darlene Glória, o filme recebeu o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1973.

 

Próximas sessões | 1º Bimestre | Cinema + Teatro
28.03
Alma no Olho l Zózimo Bulbul, RJ, 1974, 11’
Compasso de Espera l Antunes Filho, SP, 1969-1973, 98’
11.04
Navalha na Carne l Braz Chediak, RJ, 1969, 90’
25.04
Moscou |Eduardo Coutinho, RJ, 2009, 78’

 

Serviço:
Filme | Toda nudez será castigada
Bate-papo| Darlene Glória (atriz) + Andrea Ormond (crítica cinematográfica)
Data | 21 de março (segunda-feira)
Local | Cine Humberto Mauro | Palácio das Artes
Horário|20h
Entrada gratuita – Sujeito a lotação do espaço
Classificação Indicativa| 18 anos
Capacidade da Sala | 129 lugares (ingressos poderão ser retirados meia hora antes da sessão)


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mostra El Deseo – O apaixonante cinema de Pedro Almodóvar  de que já passou pelo Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília, chega em Belo Horizonte no próximo dia 1º, no Cine Sesc Palladium.

A curadoria tem à frente a pesquisadora Silvia Oroz, especialista na obra do cineasta e em seu gênero preferido, o melodrama. O jornalista Breno Lira Gomes é parceiro na curadoria. A entrada para as sessões é gratuita, com retirada de ingressos 30 minutos antes. O espaço está sujeito a lotação.

Além dos filmes, será realizada uma master class, com a curadora Silvia Oroz, no dia 16 de março, às 20h, com o tema Pedro Almodóvar e o melodrama. Mais informações aqui. E no dia 18, às 20h, após a exibição do documentário Tudo Sobre o Desejo – O Apaixonante Cinema de Pedro Almodóvar, o curador Breno Lira Gomes, a pesquisadora Rita Ribeiro e o jornalista Luiz Cabral Inácio participam do debate O Cinema de Pedro Almodóvar.

SERVIÇO

1º de março a 17 de abril, no Cine Sesc Palladium.

Rua Tupinambas, 956 – Centro

Programação e sinopse dos filmes, clique aqui.


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Nem só de bolo e valsa se faz uma festa de debutante. A Mostra Permanente de Cinema Curta Circuito completa 15 anos em 2016 e prepara várias surpresas. Começando pela direção, que agora é assinada por Daniela Fernandes, da Le Petit Comunicação Visual e Editorial. O resto da equipe também está de cara nova e é composta predominantemente por mulheres.

Destaque para os novos parceiros, como a ilustradora Anna Cunha, que desenhou personagens especialmente para a mostra, representando a memória emotiva e o cinema de afeto, tema deste ano. As ilustrações ganharam vida com a ajuda de modelos – caracterizadas como os personagens – e do figurino, cópia fiel dos desenhos, criado pela estilista Amanda Monteiro. A make ficou por conta da super maquiadora Andrea Alencar.

O resultado estará na vinheta da mostra, que foi filmada Casa Ateliê, pela produtora de vídeo Par Filmes em parceria com a Val Wander Fotografias. A primeira sessão do Curta Circuito 2016 é no dia 21 de março.

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Sobre a Mostra

O Curta Circuito – Mostra de Cinema Permanente completa 15 anos de exibições este ano e é uma das referências em Minas e no Brasil como ação de formação qualificada de público, espaço de reflexão, debates sobre a cultura audiovisual e todos os aspectos que a envolvem, sejam técnicos, narrativos, estéticos, culturais e políticos.

Procuramos garantir a exibição regular de filmes exclusivamente brasileiros, de qualquer ano, sempre com entrada franca, resgatando obras importantes da filmografia brasileira em Belo Horizonte.

Nossa “casa”, o Cine Humberto Mauro, é hoje uma das melhores salas de projeção de BH, atuando com exibições nos formatos de 35 mm, 16mm, digital e DCP. São 129 lugares de um charmoso cinema de arte situado no principal complexo cultural da cidade e atualmente único cinema que exibe em película na cidade.

Além das exibições, o Curta Circuito se preocupa com a memória e preservação do cinema brasileiro. Dessa forma, há alguns anos começamos um trabalho em parceria com a Cinemateca do MAM RJ de restauro de filmes que estavam se perdendo (ganhamos Mention do D’Hounner em Milão em 2013 pela restauração do filme Tostao a fera de Ouro da decada de 70). Fizemos copias de difusão das obras de Aloysio Raulino, Joao Batista de Andrade e Leon Hirszman. Publicamos livretos com informações dos filmes exibidos, críticas, fotos e cartazes, num intuito de formar um material para consulta e acervo. Além das cópias físicas, possuímos as digitais em nosso site e você pode conferir acessando: www.curtacircuito.com.br/publicacoes

 

Por Bárbara Prado, amiga do Ameixa e integrante da equipe Curta Circuito. Babee, o Ameixa está sempre aberto para você trazer novidades desse projeto tão bacana! <3


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Pegando Fogo trás um Bradley Cooper numa versão cinematográfica de Hell’s Kitchen

Nunca se falou tanto em gastronomia no Brasil como agora. Tamanho boom pode ser visto pelos inúmeros de programas do gênero na TV, lido pelas centenas de publicações dedicadas à boa comida e vivenciado pela cartela de opções de cursos que temos por aí. Talvez por isso, Pegando Fogo (Burnt), que estreia hoje nos cinemas, caia como uma luva no paladar gosto do público.

No filme, Bradley Cooper vive o arrogante e invejável chef de cozinha, Adam Jones, que no passado viu a sua fama e credibilidade irem pelo ralo devido ao seu temperamento e ao uso de drogas. Agora, o chef corre atrás do tempo perdido, mas para isso deve reencontrar com o seu passado e ir atrás da tão sonhada, por todos os chefs, 3 estrelas do guia Michelin.

Na primeira parte de Pegando Fogo, você tem a sensação de que “já vi isso em algum lugar”. E você não está enganado. Adam Jones é a representação de um estilo de chef que a mídia impôs ao nosso dia a dia. O chef carrasco, imortalizado por Gordon Ramsay e seu Hell’s Kitchen. Como entretenimento essa tipo de personalidade dentro de uma cozinha é um deleite para olhos de quem assiste. Mas não se enganem a realidade é completamente diferente. Ela se aproxima do que se torna Adam Jones no decorrer das ações que o filme apresenta.

Pegando Fogo é como uma degustação à la carte. De cara você olha o cardápio e se estranha um pouco com aquela explosão de sugestões. Mas quando as guarnições começam a ser servidas vamos nos ambientando com aquela proposta sugerida pelo chef, neste caso, do diretor John Wells, que vai desconstruindo e reconstruindo o personagem de Bradley para que possa ser degustado pelo público.  Para contrabalancear tamanha arrogância do seu personagem principal, o filme está cercado por personagens secundários pra lá de cativantes e não menos interessantes.

UNTITLED JOHN WELLS PROJECT

Bradley Cooper pode até ser o queridinho do momento em Hollywood, mas sempre o vejo ligado no automático e seus personagens nada são do que a continuação de outro que ficou no passado. Porém, consegue segurar as rédeas das ações e momento algum deixa de ser o fio condutor do arco narrativo. E, claro, conta com a ajuda de uma inspirada Sienna Miller, fazendo Helene,  uma sous chef que não fica em nada atrás do seu mentor. Daniel Brühl, como Tony, um maitre e pau para toda obra para as loucuras de Adam e  Emma Thompson, responsável por colocar os fantasmas de Adam Jones em seus devidos lugares. Não podemos esquecer  da aparição relâmpago de Uma Thurman, fazendo uma respeitada crítica gastronômica, que deixa um gostinho de quero mais.

Pegando Fogo tem todos os elementos para ser uma diversão num final de tarde. É leve, com um humor londrino e carregado de emoção nas doses certas. Vá bem alimentado se não quiser ficar salivando durante o filme. Os pratos que passeiam pela história são a cereja do bolo. A sobremesa que fecha com chave de ouro qualquer degustação.

Por Pierre Menezes, Jornalista e Chef de Cozinha viciado em cultura pop.