operação red sparrow

Operação Red Sparrow é mais uma tentativa de ampliar para as telonas um livro de sucesso – Red Sparrow, de Jason Matthews. Com estreia nacional para o dia 01/03, direção de Francis Lawrence (Jogos Vorazes) e estrelado por Jennifer Lawrence (Dominika Egorova), o filme promete muita ação e conflitos políticos.

O enredo é o melhor que o filme tem a oferecer. Ele vai além do tema repetitivo de conflitos de interesses entre EUA e outros países. Tem traições, inúmeras reviravoltas e muita espionagem. Aliás, o ponto alto do filme são as reviravoltas. São tantas que você se empolga. A mesma sensação e evolução dos filmes de Dan Brown, o que é ótimo. A leve diferença entre os dois é que os filmes de Brown têm finais previsíveis, já Red Sparrow pode te surpreender.

Com cenas chocantes bem dirigidas e produzidas (como todo o filme), há em contrapartida cenas estranhas (para não falar mal feitas) da bailarina Dominika Egorova (Lawrence) dançando no palco. Mesmo com alta tecnologia, temos a sensação de que estamos assistindo a um filme da Barbie bailarina. Ok, a história te distrai daquilo, no entanto as cenas destoam de tudo.

É muito claro que Jennifer Lawrence e parte do elenco principal estão ali apenas para alavancarem o nome do filme. Suas atuações são tão medianas que, se fosse para alcançar aquele resultado, poderiam ter sido interpretadas por qualquer artista. Uma pena, porque sabemos que muita gente vai ao cinema apenas pelos atores, ou até mesmo pela propagada nudez de Jennifer Lawrence. O que não impede de serem fisgados pelas tramas.

Filme que vai atrair muito público. E espero que, apesar de seus problemas, atraia você também.

Cinema: Operação Red Sparrow


casawinchester

A Mansão Winchester, a casa mais mal assombrada do mundo, é o pano de fundo para o mais novo filme de terror dos irmãos Michael e Peter Spierig. A Maldição da Casa Winchester, encabeçada pela oscarizada e multifacetada, Helen Mirren, estréia hoje nos cinemas de BH prometendo muito susto, mas que ficou só na promessa mesmo.

A “Winchester Mystery House” começou a ser construída em 1884 e as construções só foram interrompidas em 1922, com a morte da sua matriarca, Sarah Winchester, viúva do magnata das armas de fogo, William Wirt Winchester. Localizada em San José, Califórnia, a mansão possui 7 andares e mais de cem quartos. Sem nenhum projeto estrutural, a mansão ia sendo construída de acordo com as visões de Sarah.

Tablóides da época alegaram que algum ponto depois da morte de seu marido, a viúva chamou um médium para canalizar o espírito de seu falecido marido. O espírito disse que ela deveria deixar sua casa em New Haven e viajar para o Oeste, onde ela devia construir uma casa para ela e os espíritos de pessoas que tinham sido vítimas de rifles Winchester. Após a morte de Sarah, a mansão foi vendida e em fevereiro de 1923, cinco meses após a morte de Winchester, a casa foi aberta ao público.

A história da casa Winchester é por si só um roteiro pronto para qualquer filme. Porém, A Maldição da Casa Winchester se perde num emaranhado de jumpscare (susto fácil) sem a necessidade para tal. Em um período que o terror no cinema passa por uma mudança na sua forma de contar uma história, o filme volta anos e se torna mais um daqueles filmes de terror de Sessão da Tarde. Além de ser um desperdício do talento de Helen Mirren em cena.

É muito mais interessante perdermos tempo em procurarmos os diversos documentários feitos sobre a casa, as centenas de lendas urbanas que permeiam a mansão e até mesmo montar um pacote turístico para visitar as principais casas assombradas existentes no mundo e incluir com honrarias a Mansão Winchester. A casa ainda mantém toques exclusivos que refletem as crenças da Sra. Winchester e sua preocupação incessante em como afastar e aprisionar  os espíritos malévolos.


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Uma das promessas de filmes de terror/suspense para o ano de 2018 é o filme Sobrenatural – A Última Chave. Com estreia para esta quinta-feira (18/01), este quarto capítulo da franquia Insidious mostra mais um episódio na vida da investigadora paranormal Elise Rainer (Lin Shaye). Passado dessa vez no ano de 2010, o filme conta sobre a volta de Elise para a casa em que morava quando criança para enfrentar seus primeiros demônios.

Sobrenatural é considerada uma das mais bem sucedidas franquias de suspense da década. E mesmo em seu quarto filme ainda se mostra com muito fôlego. O encontro de Elise com os demônios de sua infância, na casa em que foi criada, pode criar uma expectativa do fim da era Sobrenatural. Entretanto, o roteiro bem apresentado, envolvente e maduro vai contra o óbvio que todos os outros filmes trouxeram e traz sinais de que a história poderá continuar.

Um bom diferencial deste filme em relação aos anteriores é a agilidade da história. O filme é mais rápido. As cenas de sustos não são longas. É mérito do casamento de um bom roteiro (rápido e direto, exatamente como deve ser nos dias de hoje) e uma direção com cenas curtas e objetivas. Nada daquelas cenas que fazem o espectador pensar: mas por que não fizeram isto? Até porque o filme é de 2017 e se passa em 2010, ano do lançamento do primeiro filme da franquia. Como o acesso a filmes deste gênero é mais fácil hoje em dia, é preciso mostrar uma novidade. Ponto pra este filme.

Outro diferencial é a personagem Elise mais séria, ainda que ao lado dos propensos caçadores de fantasmas, digo, ajudantes da Elise, Tucker (Angus Sampson) e Specs (Leigh Whannell). Ficou somente para eles o tom de comédia deste suspense. O filme ganhou mais credibilidade por isto. Saiu daquele formato anterior de: temos um demônio, vamos chamar Elise e seus ajudantes desajeitados.

Para quem não viu nenhum dos filmes anteriores, não se preocupe. O filme é muito redondo. Em nenhum momento você ficará perdido na história. Para os fãs destes filmes, fiquem tranquilos, pois há referências aos filmes anteriores, só que de forma mais sutil. As cenas dos anteriores que aparecem são muito bem explicadas para o coleguinha que não assistiu às histórias anteriores.

Podem correr para os cinemas já que este filme já chegou honrando o gênero. E deixo a responsabilidade para vocês de concluírem se  terminará com A Última Chave.

 


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O Destino de Uma Nação (Darkest Hour), mais novo filme de Joe Wright ( Anna Karenina; Orgulho e Preconceito), estréia hoje nos cinemas com o peso do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Drama para Gary Oldman, conquistado no último domingo, que faz um Winston Churchill acima de qualquer suspeita.

E o filme é isso mesmo: Winston Churchill e seus primeiros meses como Primeiro-Ministro Britânico. O Destino de Uma Nação não se trata de uma biografia completa – nascimento até a morte – de Churchill, mas um recorte de um dos momentos mais importantes da história recente mundial, quando Churchill tem como primeira missão: aceitar um canhestro acordo de paz com Hitler ou se posicionar contra a avançada alemã pela Europa. Além de armar e coordenar a volta do exercito inglês que se encontra cercado pelas tropas Hitler em Durkink, França

Coincidentemente em 2017 estreou Durkink, de Christopher Nolan, que retrata esse mesmo instante histórico, porém da perspectiva das tropas britânicas. O Destino de Uma Nação concentra-se nos bastidores dessa operação e na figura mitológica de Winston Churchill que vai de persona non grata no Parlamento Britânico, inclusive até mesmo dentro seu partido, a principal, temido e admirado Primeiro-Ministro inglês e uma das figuras históricas mais lembradas.

A direção de Joe Wright é elegante. Planos, iluminação e fotografia estão em sintonia e soberbas  para retratarem o peso sóbrio que a política inglesa estava passando naquele momento. Porém peca na falta de ação, uma vez que por se basear em fatos verídicos sabemos como se deu o fim disso tudo. Então inevitavelmente os olhos se voltam para Gary Oldman e sua composição de Churchill.

Churchill, por ser uma figura tão curiosa, sempre roubou os holofotes para si. E por isso, e graças a série The Crown, fincou os pés na cultura pop contemporânea. Gary Oldman é um ator acima da média e usou de todos os artifícios dramáticos para entregar um Winston Churchill magistral. Merece todas as honras e todos os troféus que conseguir nessa trajetória de premiações.

Fica impossível em quase todos os filmes que retratam passagens históricas e personagens idens uma não romantização dos fatos. A realidade é muito mais cruel que se imagina e nem sempre, por mais que personagens e fatos sejam interessantes, a verdade nua e crua fica bem numa tela de cinema.

Dessa forma o roteiro de O Destino de Uma Nação não foge a regra e em alguns momentos há um exagero ao retratar as imperfeições de Churchill, mas nada que estrague o prazer de assistirmos a um ótimo trabalho de Gary Oldman, uma direção pomposa de Joe Wright em cima de um dos mais complexos e apaixonantes personagens da história: Winston Churchill.


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Estreia hoje nos cinemas de BH, o filme Corpo e Alma, da diretora húngara, Ildikó Enyedi. Na história, Maria (Alexandra Borbély) e Endre (Morcsányi Géza) são colegas de trabalho em um abatedouro. Ambos traçam características que os afastam da sociedade e descobrem em diversos diálogos que sonham as mesmas coisas durante o sono. A partir daí decidem tornar realidade os sonhos no mundo real.

A diretora Ildikó Enyedi busca por meio do roteiro de Corpo e Alma traçar um paralelo entre sonho e realidade para contar uma história de amor entre duas pessoas que possuem uma visível e incomoda falta de traquejo social. Endre, não quer mais viver um novo amor por acreditar que a solidão o protege das dores emocionais e físicas que um relacionamento pode trazer. Já Maria, nem admite tal possibilidade, uma vez que criou uma barreira entre ela e o restante do mundo.

Pois bem, usando a metáfora dos sonhos, ambos se encontram nele como animais e isso faz toda diferença. Uma vez assumindo a personalidade de um cervo e um veado, Maria e Endre estão isentos de se submeterem às normas sociais que somos obrigados a seguirmos para o convívio em sociedade. Sendo animais, o relacionamento é mais seco, áspero e direto.
Porém, quando decidem levarem para o plano real o relacionamento que possuem nos sonhos, as coisas não serão fáceis. Ambos precisam primeiro se inserir de alguma forma na sociedade, conviverem com suas dores passadas, aprenderem a comunicar, a falar, tocar, olhar e sentir os seus sentimentos e os dos outros.

A narrativa é extremamente lenta. Diversas tomadas silenciosas, principalmente no plano dos sonhos, o que pode causar um desconforto no público, pois tudo demora a acontecer. Se Corpo e Alma fosse uma oitava acima em agilidade seria uma obra completa. Um roteiro criativo que infelizmente se torna um sonífero e um entediante entretenimento.