Entrevista Evolução Francesa: Rêve de Mode


Continuando as entrevistas com os blogueiros da Evolução Francesa Lacoste, hoje vamos falar sobre as curitibanas Karla Gironda e Jaqueline Carvalho. Responsáveis pelo blog Rêve de Mode, elas movimentam a cena musical e artística da cidade, com sua revista digital, a Le Rêve, editoriais e festas.

O que motivou vocês a criar o blog?

Jaqueline - Eu tinha acabado de terminar o primeiro ano da faculdade de Design de Moda, e percebi que faltava – pelo menos pra mim – um espaço para novos artistas, designers e estilistas divulgarem seus trabalhos aqui da cidade, além de proporcionar informação sobre o mundo da moda. Eu sempre gostei de escrever e talvez eu tenha feito o caminho inverso, fazer moda para falar dela profissionalmente.

O blog é também o trabalho principal de vocês? Caso não seja, qual a atual profissão de cada uma?

Karla - Posso considerar que sim, faço faculdade de jornalismo mas creio que boa parte do meu tempo eu dedico na aplicação do curso diretamente no Rêve de Mode – não só na parte de jornalismo, mas também na parte de fotografia, posso até pegar freelas em outros lugares, mas o principal é o blog e a revista digital.

Jaqueline - Eu mesclo muitas coisas ao mesmo tempo, de repente é uma produção aqui e outra lá, seja com figurino ou qualquer outra coisa interligada. O que eu não gosto é de ficar parada. Mas sou formada em Design de Moda.

O que vocês acham desse crescimento desenfreado das publicações de moda na internet?

Karla - Acho que um pouco é a falsa sensação de glamour que existe nisso, credenciais, eventos, coqueteis e tal. Mas na prática não é bem assim, como em várias profissões por ai. E isso acaba gerando um boom de péssima qualidade, poucos são os que conseguem se sobressair, não falar apenas do fútil, de celebridades e tal.

Jaqueline - Bom, nós mesmos temos uma revista digital agora. E foi um longo percurso até tomar esse rumo, mas acho que cada vez mais a moda se infiltra nos meios de comunicação para transmitir idéias e conceitos, pois é um jeito de se movimentar. E isso é muito bom.

Quais os critérios que vocês utilizam na escolha daquilo que consideram bacana postar?

Karla - Difícil isso, rs… Principalmente porque quando você faz uma escolha, você demonstra tua linha política, de pensamento e tal, não consegue ficar apenas na parcialidade como dizem que deve ser o jornalismo. Mas procuro ir atrás de coisas diferenciadas, procuro informações que ainda não foram muito divulgadas, e também lançar algumas marcas que tem um ótimo trabalho mas que são pouco conhecidas; ou então dar notas de músicas que considero relevantes, independente do meu gosto pessoal.

Jaqueline - A Karla e eu temos gostos muito parecidos. Tentamos focar em eventos que acontecem aqui e eventos de fora, principalmente SP, mas para informar e não ditar – entrevistas com novos profissionais, enfim.. de tudo um pouco, tudo que vemos que vale a pena repassar, mostrar, e, claro, tentando sempre criar algo novo, inusitado. Passar a nossa visão do que nos rodeia, isso eu acho essencial.

Como vocês avaliam a moda brasileira atual?

Karla – Creio que existem dois lados muito definidos: aqueles que têm coragem de ser diferentes e não seguir exatamente as tendências mundiais, ou brasileiras, e tentam fazer algo cada vez mais autoral – isso em Curitiba tem bastante. Mas há também o lado comercial, que é o que enche as passarelas e os shoppings. Hoje vejo SPFW, Fashion Rio e Crystal Fashion como grandes eventos para mostrar o que cada vitrine tem, e não exatamente um conceito, uma linha de pensamento. Os nomes que deveriam estar lá quase não aparecem.

Jaqueline – De 0 a 10? Eu acho que estamos com exatos 8. Digo, já passou na faculdade e tá fazendo pós agora. Minha perspectiva já foi vista e revista durante todo o período da faculdade, e não é nada fácil. Talvez um dos mais difíceis ramos no mercado, pela reinvenção que impera. E olha que estamos muito bem nessa, novos profissionais, novas formas de se mostrar e ser visto. Estamos indo para a direção certa, vai dizer?

Sobre a parceria com a Lacoste, qual a opinião de vocês sobre a campanha Evolução Francesa? Algum comentário sobre a viagem, sobre os posts para o blog..

Karla - Nossa, eu achei incrível, acho que é um projeto com uma proposta muito bacana, essa diversidade e mix de assuntos. Fiquei feliz principalmente por terem nos chamado. E sobre a viagem, sem comentários, foi incrível e já estou morrendo de saudades. Em relação aos posts do Rêve eu estou gostando da linha que estamos seguindo, principalmente no style hunter, em que optamos por fotografar sempre duas pessoas de uma mesma área de trabalho. E os de conteúdo também, tem muita coisa bacana pra falar daqui de Curitiba.

Jaqueline - Que saudades do Rio, é isso. rs. Esse projeto é realmente uma revolução. Tanto pela forma de mostrar diferentes lugares no ponto de vista de várias pessoas, quanto de juntar pólos diferentes do Brasil e da França, que tem muito em comum, mesmo não sendo comum. E a viagem foi ótima, vamos voltar pro Rio e fazer um encontrão de novo, que tal?

Karla e Jaqueline, do Rêve de Mode
Entrevista por Lorena Martins

Entrevista Evolução Francesa: Leo Amaral


Depois de conhecer pessoalmente todo mundo no Rio, vamos fazer agora um “especial entrevistas” com os blogueiros que fazem parte, junto com o Ameixa, da Evolução Francesa. É a oportunidade para todo mundo conhecer melhor o trabalho dos evolucionistas Lacoste, que, de cada capital do Brasil, representam a moda, música e arte através de seu trabalho. O primeiro é o querido Leo Amaral, jornalista de Salvador que é autor do blog Cool in the Heat e escreve para o portal Oi Moda.

Ameixa: Qual foi a ideia que te motivou a criar seu blog?

Leo: Queria muito expressar minhas opiniões e interesses sobre a moda masculina. Era um tema que me atraia e atrai muito. Acredito que falar sobre moda masculina contribui para a construção de uma cultura de moda, porque precisamos disso, tratar esse universo com o mesmo interesse e respeito que a moda feminina recebe.

Ele é também o seu trabalho principal? Caso não seja, qual a sua profissão atualmente?

Atualmente o blog é o meu portifólio! Ele tem me ajudado a receber propostas de parcerias e colaborações – me dedico bastante a ele, mas ainda não vivo exclusivamente dele. Espero que ele me ajude a conseguir trabalhos maiores, porque é nesse ambiente criativo que gosto de trabalhar, pesquisa de tendências, consultoria de imagem, jornalismo e produção de moda.

O que você acha desse crescimento desenfreado das publicações de moda da internet?

Revela que a moda está se tornando mais acessível e democrática, mas também leva à publicação de materiais com pouco conteúdo e sem nenhuma relevância, que por algum fator acabam ganhando popularidade.

Quais os critérios que você utiliza na escolha daquilo que considera bacana postar?

Sempre levo em consideração aquilo que me atrai pessoalmente e que também possa interessar o leitor. Tem sempre que ter algo que acrescente ou inspire, pelo menos acredito que seja assim. Tento equilibrar entre novidades, entrevistas, objetos de consumo e textos sobre tendências.

Leo, como você avalia a moda brasileira atual?

A moda brasileira está em plena ascensão e amadurecimento. Em busca de uma identidade que a represente, por isso tem recebido tanta atenção internacional, porque gradualmente começa a revelar talentos que criam além das influências europeias, como a Amapô e a Neon, por exemplo. O que desejaria mais para a moda brasileira era uma imprensa independente, menos enclausurada em pequenos grupos de amigos e representada por mais regiões do país.

Pra finalizar: Sobre a parceria com a Lacoste, qual sua opinião sobre a campanha Evolução Francesa? Algum comentário sobre a viagem, sobre os seus posts para o blog do projeto…

Estou muito feliz com a parceria com a Lacoste. Espero que a campanha Evolução Francesa contribua para renovar a imagem da grife francesa no Brasil. A viagem foi muito agradável e me permitiu conhecer pessoas maravilhosas, o que talvez não ocorresse tão rápido. Quero que meus posts revelem um outro lado do cenário cultural de Salvador, mais cosmopolita e urbano. É nisso que tenho focado.

Entrevista por Lorena Martins

Ronaldo Fraga no SPFW!


Ronaldo fala sobre o Brasil, suas criações e sua inspiração em Mario de Andrade para a coleção desfilada nessa edição do SPFW. Linda de se emocionar! E única, assim como todos os trabalhos do estilista mineiro.

Entrevista da semana: Elke Maravilha!


Elke, que sempre se destaca pelo seu seu visual irreverente e suas montações alegóricas, desfilou e brilhou na noite do último domingo na Caramelo Sundae especial DIVAS no Velvet Club! Sempre se inspirando nas mais diversas culturas que existem no mundo, o figurino escolhido para a noite foi muito mais do que um pretinho básico! Baseado nas alegorias dos guerreiros de Esparta, Elke trabalha seu visual sempre em cima de um longo trabalho de observação e representação de artes já explorados por alguma cultura. No meio de multidões de novos e velhos fãs, a gente conseguiu fazer uma entrevistinha rápida onde Elke conta sobre moda e jogação!

1) Elke, o que a moda representa pra você em sua vida?

Ameixa: A moda só tem valor quando te faz crescer, por dentro e por fora. Nós somos macacos pelados. Deus errou na mão com a gente, porque o mais bonito de nós ainda é mais feio que o mais feio dos animais. Daí a necessidade de se utilizar da moda pra se vestir, e com isso transmitir uma mensagem.

2) Qual é seu estilista preferido?
Ronaldo Fraga consegue traduzir exatamente o que eu sinto pela moda. Pra ele não tem dessa de modelo magrela desfilando prum lado e pro outro.

3) Jurada do Programa Silvio Santos, atriz, cantora, modelo e mais inúmeros e inusitados trabalhos em mais de 30 anos de carreira. E a experiência de ser hostess numa balada pop em Belo Horizonte?

Estar em uma festa como essa é permitir se misturar, conhecer pessoas novas e assim acrescentar. E tudo aquilo que nos acrescenta é perfeito! Aliás, a palavra que resume a festa Caramelo é jogação. Uma jogação com alto astral, um clima excelente de descontração que não tem espaço para carão! E é isso que a gente tem que fazer na vida, aproveitar e não ficar ultrapassado. Aliás, envelhecer eu posso mas eu nunca vou ficar ultrapassada… Quando eu for ficar ultrapassada, vou preferir deitar e dormir.

Por Lorena Martins e Dudu Pônzio

Fotos por Marina Abadjieff – Para ver toodas, acesse o flickr do Velvet. E aguardem mais festas e entrevistas!

Entrevista da semana: Manu Romano


Arquiteta que virou estilista. Brasileira que faz moda para a cidade de Barcelona. Manu Romano, uma das responsáveis pela marca Sugar Rush, contou para o Ameixa, dentre outras coisas, sobre sua trajetória e as diferenças entre o fazer moda aqui e lá fora.

Ameixa: Manu, sua primeira formação é na arquitetura. Como você chegou ao mundo da moda?

Manu: Eu sempre quis estudar moda, mas quando fiz vestibular não tinha faculdade na área em Belo Horizonte. Fiz um teste vocacional e eu sabia que queria alguma coisa relacionada à estética, então resolvi optar pela arquitetura. Acho que ela me deu um campo bem bacana, porque tem tudo a ver com dimensões e texturas. Quando estava no segundo ano, abriu a faculdade de moda mas eu não quis abandonar meu curso, preferi me formar. Depois fiz pós-graduação em moda e, mais tarde, o mestrado.

Como surgiu a Sugar Rush?

Surgiu de um projeto final que tivemos que fazer no mestrado, que era desenvolver uma marca e uma coleção em cima dela.

E de onde veio o nome?

O nome Sugar Rush veio depois de muitas tentativas, a gente queria uma coisa que misturasse o universo kitsch e bizarro. Depois de pensar muito, viemos com a ideia de mesclar coisas de avós, de brechós, coisas super passadas de moda, até bregas. Primeiro veio o nome Yaya Pop. Yaya em castelhano é um apelido para avó, tipo vovó. Depois resolvemos mudar, preferimos um tema de chocolate. Queríamos volume e achamos que o tema do chocolate e dos doces nos daria isso. Depois de todas essas mesclas, chegamos finalmente no nome Sugar Rush – algo como corrida do açúcar, e na coleção Kitsch and Bizarre - bizarro e passado na moda. Uma moda diferente, vanguardista.

Quais são suas principais influências?

O surrealismo pop, que é uma tendência super bacana, as coisas antigas, plástico, por aí.

Sugar Rush é totalmente vanguarda. Quem você considera público alvo da marca?

O público alvo, no começo, imaginamos que seriam pessoas estranhas, como a gente, nossos amigos. Mas aí vimos que o público começou a crescer e que haviam mais pessoas estranhas e bizarras do que a gente imaginava, rs. E deu certo! A coleção ficou super bacana e tem um público que gostou muito.

Como funciona esse processo no Brasil?

Desde que voltei ao Brasil, para a Sugar Rush eu só desenvolvi três modelos de roupas, mas decidimos que fica muito caro mandar para a Espanha. Então ficou definido que a parte das roupas seria feita lá e a dos acessórios aqui. Fiquei responsável por toda essa parte dos acessórios.

Você mora no Brasil enquanto Carolina e Laura estão na Espanha. Quais são as principais dificuldades?

As dificuldades maiores são mais por conta do fuso horário, são cinco horas a mais em Barcelona. Mas a internet facilita muito as coisas, com Skype e Messenger é praticamente como estar no mesmo lugar. Então a gente pensa, as três juntas, em um conceito e desenvolvemos a partir dele. Acabou que ficou bem mais fácil depois que a gente separou essa parte de vestuário na Espanha e acessórios aqui, no Brasil.

Há diferença entre o acessório que você produz para ser vendido aqui e o voltado para a Europa?

É a mesma linha, mas o acessório daqui é digamos, um pouco mais discreto. Nem tão discreto assim porque a Sugar Rush nunca é discreta, mas é sim um pouco mais contido e usável do que o que vai para lá. O de lá é mais editorial, mais figurino.

Seguindo a lógica dos estilistas brasileiros que consagram seu nome aqui e depois tentam os mercados de fora: Você se vê fazendo meio que um caminho inverso?

Acho que sim, mas as coisas foram acontecendo naturalmente. É claro que eu queria fazer sucesso primeiro aqui e depois ir para lá. Mas aconteceu o contrário, o que acho ótimo, na verdade, bem melhor no meu caso.

Você acha que é mais fácil no Brasil depois de já estabelecida na Europa?

Eu acho que não. É mais fácil entrar na Europa depois de se estabelecer no Brasil do que o contrário, pelo público europeu mesmo. Eles são muito mais abertos às novidades e às coisas daqui do que somos com as coisas de lá.

Como você avalia a moda brasileira atual?

Acho que há muitos estilistas bacanas no Brasil, mas a moda brasileira está imitando e copiando muito o que tem lá fora e não sei se isso é tão bom assim. Acho que o pessoal aqui tem um certo medo de ousar, o que gera mesmice, padrões. Também visualizo um quê vulgar na moda de rua: peças curtas, transparentes, decotadas…

Por Lorena Martins e João Henrique Eugênio

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