operação red sparrow

Operação Red Sparrow é mais uma tentativa de ampliar para as telonas um livro de sucesso – Red Sparrow, de Jason Matthews. Com estreia nacional para o dia 01/03, direção de Francis Lawrence (Jogos Vorazes) e estrelado por Jennifer Lawrence (Dominika Egorova), o filme promete muita ação e conflitos políticos.

O enredo é o melhor que o filme tem a oferecer. Ele vai além do tema repetitivo de conflitos de interesses entre EUA e outros países. Tem traições, inúmeras reviravoltas e muita espionagem. Aliás, o ponto alto do filme são as reviravoltas. São tantas que você se empolga. A mesma sensação e evolução dos filmes de Dan Brown, o que é ótimo. A leve diferença entre os dois é que os filmes de Brown têm finais previsíveis, já Red Sparrow pode te surpreender.

Com cenas chocantes bem dirigidas e produzidas (como todo o filme), há em contrapartida cenas estranhas (para não falar mal feitas) da bailarina Dominika Egorova (Lawrence) dançando no palco. Mesmo com alta tecnologia, temos a sensação de que estamos assistindo a um filme da Barbie bailarina. Ok, a história te distrai daquilo, no entanto as cenas destoam de tudo.

É muito claro que Jennifer Lawrence e parte do elenco principal estão ali apenas para alavancarem o nome do filme. Suas atuações são tão medianas que, se fosse para alcançar aquele resultado, poderiam ter sido interpretadas por qualquer artista. Uma pena, porque sabemos que muita gente vai ao cinema apenas pelos atores, ou até mesmo pela propagada nudez de Jennifer Lawrence. O que não impede de serem fisgados pelas tramas.

Filme que vai atrair muito público. E espero que, apesar de seus problemas, atraia você também.

Cinema: Operação Red Sparrow


Gosto-Se-Discute-Divulgacao
O cinema brasileiro está em alta. Seja no nosso país, seja no exterior. A comédia nacional é uma das grandes responsáveis por atrair os brasileiros para o cinema na atualidade. É notória a mudança na comédia atual. Esta reciclada tem levantado a moral do gênero em todos os meios de comunicação.
Dia 09/11 estreia a comédia “Gosto Se Discute?”, com roteiro e direção de André Pellenz (Minha Mãe É Uma Peça), e, no elenco principal Kéfera Buchmann e Cássio Gabus Mendes. Paulo Miklos, Gabriel Godoy, Robson Nunes encabeçam o grande elenco.
A atriz e youtuber Kéfera (uma das principais youtubers que arrasta em suas aventuras milhões de fãs e admiradores) interpreta a personagem Cristina. A personagem tem a missão de gerir um restaurante juntamente com Augusto (Cássio Gabus) que está com seus dias contados como dono do empreendimento devido à pouca clientela.
O filme acerta ao misturar drama e um conteúdo de sequências e imagens de gastronomia. Palmas para a direção e edição do filme. Em contrapartida, o filme lida com um roteiro muito fraco. Previsível, o roteiro peca por apresentar uma comédia boba, imperceptível e com baixa intensidade. Somos salvos pelo drama.
Cássio Gabus é o grande destaque do filme. No entanto, a Kéfera se mostrou mais madura e preparada nesta obra em relação aos seus outros filmes. Motivo pelo qual ela alcança o título de destaque. As melhores partes da comédia ficaram a cargo dos atores coadjuvantes. Todos usaram perfeitamente o espaço que lhes foi dado. Dali saem os melhores momentos cômicos.
Então, não deixem de conferir nos cinemas o filme “Gosto se Discute?” Vale a pena. E como a Kéfera nos disse: vamos valorizar o cinema brasileiro.
Kéfera bateu um papo conosco. Falou de um assunto que devemos discutir.


mother!

A nova obra de Darren Aronofsky (Cisne Negro) que estréia hoje nos cinemas da capital, é uma viagem lisérgica audiovisual que mexe com todo o seu corpo. Passamos por uma experiência corporal, emocional sentados diante da tela. E por ser uma experiência só posso dizer da minha. Pois é complicado falar de mother! (o titulo é no diminutivo mesmo) sem soltar algum spoiler. Até porque é o tipo de filme que cada um terá a sua interpretação.

Não é de hoje que Aronofsky faz de cada filme seu ser um conjunto de sensações para o publico. Aquelas sensações que nos acompanham por diversos dias após a exibição. Ficamos procurando pontos narrativos para explicarmos a sua lógica. Embora ao final de mother! o diretor o finaliza praticamente da forma que começou: a sensação de uma virgula tal qual Aprendizado ou o Livro dos Prazer de Clarice Lispector. Ou seja: o que vimos vem de algo acontecido e que está longe de terminar. E sendo assim, o filme também termina com :

Darren Aronofsky não deu nome aos seus personagens. Pode ser qualquer. Pode ser eu, você, nós. Sendo assim, Jennifer Laurence é a “mother”, Javier Bardem é “him”. Ambos habitam a “house” que Jennifer Laurence reformou para que Javier encontre novamente inspirações para o seus poemas. Ah, sim “him” é um poeta conhecido e aclamado pela crítica e adorado pelos leitores.

A partir de agora o texto de mother!  dá lugar a minha experiência. O filme se divide em dois atos. E para mim ficou claro, ao sair da sala de cinema, que estávamos diante de uma leitura da criação do mundo. mother! pode ser Jennifer Laurence, como pode ser também a própria casa fincada numa natureza antes devastada pelo fogo. Talvez por isso mother! esteja no diminutivo. Pode ser aquilo que serve para abrigar algo. Não necessariamente mother precisa ser uma pessoa. Pode ser a casa, pode ser um desejo, pode ser o meio de conseguir alguma coisa. É onde se alimentará e crescerá a obra final.

A câmera inquieta acompanha o calvário de Jennifer Laurence por todos os cômodos da casa. É a visão feminina de sua personagem que nos serve como guia e como testemunha de tudo que irá acontecer. As cores que ela enxerga são escuras, opacas, mesmo que por inúmeras tentativas, ela esteja sempre querendo colocar cor a esse microcosmo. É uma visão turva para um olhar único sobre os fatos.

No primeiro ato temos Jennifer Laurence (e em todo o filme) como nossos olhos. E ela observa espantada, inquieta, inconformada a criação do mundo. “Him” abriga do nada em sua casa Ed Harris, o “man” e sua esposa Michele Pffeifer, a “wonan”. Figuras lascivas, invasoras. Adão e a serpente. Adiante a casa também abriga os filhos de “man” e “wonan”. Uma teatralização de Caim e Abel. A alegoria religiosa proposto por Aronofsky não é explicita. Precisamos seguir adinate para compreender as coisas.

No segundo ato instaura-se o caos! A alegoria das religiões fundamentalistas, da obsessão pelo culto, pelo Criador e pela criatura que está por chegar. Não temos mais o “man” e a “wonan”. Mesmo que você fica esperando os seus retornos é no final que você entende que tais figuras foram importantes na Criação. Agora é a humanidade vinda deles que comandam o show.

A partir do caos o filme te sufoca sem dó. Cada sequência é um incomodo e uma certeza: estamos diante de nossos tempos. Uma crítica social elevada à décima potencia sobre invasão de privacidade, o culto às celebridades, a destruição da mãe natureza e a fé cega materializada na figura de um poeta.

Cria-se  uma histeria coletiva em torno da magia de “him” e sobre o que ele prega. Seria “him” o Deus onipresente. O que tudo vê? Aquele que observa e absorve. Aquele que a todo instante precisa de incentivos criativos para as suas obras? Aquele que faz nascer e depois cria, alimenta, sustenta, mata e recomeça?

Enfim, mother! definitivamente não é um filme para se ver apenas uma vez. Passado o primeiro susto é preciso voltar para dentro daquela casa viva e caminhar novamente com os olhos de Jennifer Laurence à procura de novas nuances, algo que ficou imperceptível e que talvez mude por completo a experiência e recomeçamos a construir um novo abrigo para as novas sensações. Bravo Darren Aronofsky!


o-assassino-o-primeiro-alvo-

Uma das estréias aguardadas da semana é O Assassino: O primeiro alvo (American Assassin), filme de ação estrelado por Dylan O’Brien, Michael Keaton e Taylor Kitsch, tem tudo para se tornar uma franquia devido aos pilares óbvios que se espera dele: adrenalina, muitas cenas de ação e um protagonista simpático.

A história gira em torno de Stan Hurley (Michael Keaton), veterano da Guerra Fria que recebe a missão de treinar pela CIA, Mitch Rapp (Dylan O’Brien), um ex-soldado das forças especiais que presencia a morte de sua noiva em um atentado terrorista e desde então busca vingança apesar do seu estado psicológico estar bastante devastado. No decorrer da trama descobrimos que os métodos usados por Hurley em outro soldado (Taylor Kitsch) é a razão por trás da missão que eles devem cumprir.

Se o objetivo do filme dirigido por Michael Cuesta é prender o público com o grau máximo de adrenalina, cenas de lutas e de violência bem feitas, ele foi cumprido. O Assassino: o primeiro alvo segue a risca a cartilha do que deve ser um filme de ação e por isso mesmo fica entre os bons da safra 2017 do gênero.

O jovem Dylan O’Brien mostra um amadurecimento em sua atuação e com simpatia carrega o filme nas costas, deixando pra trás o veterano Michael Keaton. O’Brien imprime uma brutalidade e ao mesmo tempo uma doçura ao ex-soldado Rapp que o transporta direto para a categoria dos mocinhos-heróis perturbados, rebeldes que nem sempre sabem o que estão fazendo, mas que no final dá tudo certo.

Já Michael Keaton ligado no automático dá vida a mais um veterano de guerra rabugento, senhor da razão, que já vimos em quase todo filme de espionagem/CIA. Cheio de caras e bocas seu Hurley poderia facilmente ser interpretado por qualquer outro ator. Ele vindo de uma retomada de boas críticas desde Birdman, faz questionarmos o porquê de ter aceitado esse papel. Usando da sinceridade, Keaton cria um Hurley chatérrimo e mais do mesmo.

Se o que está procurando é um filme de ação e com bom ritmo, O Assassino: O primeiro alvo é a melhor dica da semana. A fotografia, principalmente na primeira cena, é maravilhosa. E é justamente essa primeira cena que irá te prender na cadeira do cinema para ver onde tudo isso irá parar.

Um pouco mais de:
Michael Cuesta: O Mensageiro (2014); Roadie (2011)
Michael Keaton: Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014); The Founder (2016)
Dylan O’Brien: Maze Runner: Prova de Fogo (2015); Maze Runner: Correr ou Morrer (2014)
Temas Relacionados: O Ultimato Borne (2007); Missão Impossível (1996); O Espião Que Sabia Demais (2011)


amityvilleodespertar

De tempos em tempos os gêneros cinematográficos se renovam e o terror não fica de fora dessa lógica. Isso se deve muito a visão dos diretores em querer contarem as mesmas histórias de formas diferentes, aos contextos sociais de cada época, ao ritmo do público, as novas tecnologias. Enfim, uma gama de situações do tempo presente que juntas promovem as renovações. Os filmes Raw (2016) e Get Out (2017) são bons exemplos sobre a nova cara do terror.

Essa introdução toda foi apenas para justificar que Amityville – O Despertar, em cartaz nos cinemas de BH, poderia ter sido mais um exemplo dessa renovação, porém não é o que acontece. O filme de Franck Khalfoun preferiu ficar no mais obvio do que se espera de um filme de terror deixando-o entediante e sem razão de ser.

Existe uma grande diferença entre medo e susto. O medo é necessário em qualquer filme do terror. É ele quem leva o filme adiante. É o medo que nos prende àquela história. O susto, quando bem encaixado ao medo, é uma ferramenta preciosa para esse gênero. Mas, o susto pelo susto não convence. Uma sucessão de sustos aleatórios cansa. E é isso o que mais temos em Amityville – O Despertar.

A história é carregada de clichês: Acompanhamos a mudança de uma família para uma nova/velha casa em Amityville, famosa por ter sido o cenário de assassinatos e possessões no passado, afim de darem um melhor conforto ao filho doente. Temos a filha mais velha, revoltada e a primeira a observar que algo não está certo (clichê nº 1), a mãe cética sobre tudo (clichê nº 2), a filha mais nova que conversa com os espíritos (clichê nº 3), o cachorro que sempre é o primeiro a pressentir algo e o primeiro a morrer (clichê nº 4), um médico ou um padre que sempre foge do local (clichê nº 5) e por aí vai. E o problema de tantos clichês é que sabemos o fim de cada um. Um sustinho aqui, outro acolá, mas medo, aquele medo real não sentimos.

Uma pena porque o elenco é bom e de rostos conhecidos. Temos Jennifer Jason Leigh fazendo a mãe Joan, a nova queridinha do público teen, Bella Thorne, Belle a filha mais velha e Jennifer Morrison como Candice, a tia avulsa e totalmente desnecessária na história. São nomes que chamam o público? Com certeza, mas fica-se apenas nisso. As atuações são todas no automático perdendo a única chance do casting salvar o todo.

Deixei o clichê mais importante para o final. Todos nós já conhecemos o que se passou e o que acontece com a família que se muda para a casa demoníaca de Amityville. O clássico Horror em Amityville ( The Amityville Horror), de 1979, foi o primeiro filme de uma série que o seguiram a retratar tais acontecimentos. Vale lembrar que a história original do filme é baseada em fatos reais. Resumindo: Amityville – O Despertar não traz nenhuma novidade sobre o que pode acontecer em quase duas horas de filme com essas novas pessoas na famosa casa nº 112 da Ocean Avenue . Infelizmente o medo e a curiosidade não foram despertados dessa vez.

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