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A abertura da maior mostra de cinema independente do Brasil, a Mostra do Filme Livre, MFL, será nesta segunda-feira, dia 01 de junho, às 19 horas, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – BH), com a exibição do longa-metragem “O Tempo não existe no lugar em que estamos”, do diretor paraibano (e radicado em BH/SP) Dellani Lima. O evento, que traz em sua programação mais de 200 filmes independentes de todos os formatos, gêneros e durações, pode ser conferido de 3 a 22 de junho, no CCBB-BHTodas as sessões são gratuitas.

A mostra exibe filmes de várias partes do País, sendo que muitos deles (por serem radicais/exóticos demais) terão a MFL como sua única exibidora. O evento acontece de forma integral pela 1ª vez na capital mineira e na edição 2015 percorreu outras três capitais – Rio de Janeiro (em março); Brasília (em abril) e São Paulo (em maio). Mais de 10 mil pessoas até o momento participaram do evento. Todas as sessões da Mostra são gratuitas e a programação pode ser conferida na íntegra em www.mostralivre.com.

Sobre “O tempo não é o lugar em que estamos” – O longa de Dellani Lima traz no elenco André Gatti, Ana Paula Condé, Julieta Dobbin, Rodrigo Lacerda Jr, Rodolfo Andrade e Carmélia Viana. O filme conta a história de Aldo, ex-repórter fotográfico, que é demitido da universidade onde leciona bem perto de se aposentar. Sem perspectivas de emprego, decide vender seus antigos instrumentos de trabalho, além de outros objetos de seu escritório e queimar parte de seu acervo de fotos. A partir daí, uma série de acontecimentos imprevisíveis mudam sua vida. Um filme sobre o tempo e suas memórias. Confira o trailer aqui!

SERVIÇO

14ª Mostra do Filme Livre em BH – MFL 2015

Sessão de abertura da MFL em BH

Exibição do longa “O Tempo não existe no lugar em que estamos”, de Dellani Lima

Data: 01 de junho

Horário: 19 horas

Local: CCBB-BH (Teatro II)

Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – Belo Horizonte – MG

 

Entrada franca, com distribuição dos ingressos meia hora antes da sessão.

Programação completa: www.mostralivre.com

 


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Belo Horizonte recebe mais uma vez a Mostra Indie de Cinema, já tradicional na cidade. O festival que vai até o dia 10 de Setembro, conta com 62 filmes inéditos (de 20 países!) divididos em 5 mostras: Mostra Mundial, Indie Brasil, Música do Underground, Albert Serra e Eugène Green.

 

Onde assistir?
Belas Artes Cinema (Sala 1: 138 lugares |Sala 2: 123 lugares | Sala 3: 76 lugares)
Rua Gonçalves Dias, 1581 – Funcionários
Cine Humberto Mauro (136 lugares)
Av. Afonso Pena, 1537 – Centro
SESC Palladium – Sala Prof. José Tavares de Barros (82 lugares)
Av. Augusto de Lima, 420 –  Centro
Quando?
De hoje ao dia 10 de Setembro.
Qual a programação?
A programação completa e sinopses do filmes estão aqui: indiefestival.com.br/2014/bh
Quanto custa?
Entrada franca (ingressos disponíveis nas bilheterias dos espaços 30 minutos antes de cada sessão)
Onde encontro mais informações?

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O cheiro de alguém que impregna no pensamento e no corpo depois de uma noite. A força desse sentido é tão grande que torna-se quase tocável à medida que a imaginação e o desejo pelo outro se misturam. O cheiro fica impregnado como uma tatuagem. Essa é sensação que traça a linha de desenvolvimento do filme Tatuagem”, que estreia hoje em Belo Horizonte.

Na trama, Clésio Wanderley (Irandhir Santos) lidera a trupe de teatro “Chão de Estrelas”, na década de 70. Ele, em toda sua sabedoria marginal, se vê envolvido com o  jovem militar Arlindo, o Fininha (Jesuíta Barbosa) que chega ao bar para entregar uma encomenda para seu cunhado Paulete (Rodrigo Garcia), e se encanta com o comandante daquele barco de artistas. Assim, Clésio e Fininha começam a se relacionar e paralelamente a história desta trupe de artistas é contada.

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Esse paralelismo entre as histórias poderia ser o trunfo do filme – e na verdade é até certo ponto – mas torna-se o “calcanhar de Aquiles” do longa. Depois da metade, o filme perde o fôlego e a falta de rumo faz com que o ritmo seja comprometido.

Isso, no entanto, não é suficiente para tornar “Tatuagem” um filme ruim. Pelo contrário, o filme é um dos essenciais brasileiros de 2013 e já abocanhou prêmio nos festivais de Gramado e no Rio. Em destaque, as cenas de sexo entre os dois homens são dignas de emoção por retratarem não um romance incansável, mas a realidade e sutilidade do ato. Vale ressaltar também as apresentações que acontecem – em especial a final – que releva o bom e engajado teatro dentro do cinema e as belas canções, como esta abaixo. Bom filme!

Apaixonado pela profissão que escolheu, Vinícius Lacerda é jornalista e acredita que literatura e cinema são, além de entretenimento, uma prazeroso meio de autoconhecimento.


A Fundação Municipal de Cultura (FMC), por meio do Centro de Referência da Moda (CRModa), inicia hoje o “Ciclo Cinema e Moda”, projeto que busca trazer ao público uma nova visão sobre o ofício da alfaiataria, resgatando o conceito para os tempos modernos. O evento terá exibições de filmes, sessões comentadas, palestras, debates, exposições e acontece até o dia 31 de agosto. E o melhor:  A entrada é gratuita.

Nós estaremos por lá para não deixar essa oportunidade passar de jeito nenhum! Se interessou? Então fique ainda mais empolgado quando conferir a programação completa aqui.

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Serviço: Ciclo Cinema e Moda
Quando: Entre 27 e 31 de agosto, a partir das 19h.
Endereço: Rua da Bahia, 1149, Centro
Telefone: (31) 3277-4384


Lembro que em uma das primeiras aulas de antropologia na faculdade, a professora pediu para que imaginássemos uma cena de uma tribo indígena sacrificando uma mulher como forma de agradar aos deuses e perguntou o que achávamos. Todos foram contra, sob a alegação de “estar errado”. Nesse momento, ela pediu que imaginássemos que fôssemos parte daquela tribo, desde o nascimento, ou seja, imaginar que fomos criados sob aqueles costumes, e pediu para respondermos novamente. Aí, houve um silêncio.

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Depois assistir ao filme Hannah Arendt eu só conseguia lembrar da cena citada acima. Em parte, porque biografia da filósofa dirigida por Margareth Von Trotta, mostra a coragem da intelectual de Hannah ao interpretar o comportamento nazista Adolf Eichmann, em Jerusálem.

Em meio a euforia condenatória, ela foi além do senso comum acadêmico vigente, colocou de lado sua raiva e história, que se misturam com aos crimes nazistas, e escreveu artigos para o New Yorker que lhe renderam severas críticas.

No segundo plano do longa, mas não menos importante, é mostrado a relação dela com o Martin Heidegger, de quem foi aluna e amante, além de seu relacionamento com o marido e amigos. Tudo isso, mostra que as concepções dela sobre as relações interpessoais não são menos brilhantes que as político-filosóficas.

Por fim, acredito que o filme incite os espectadores à avaliar o comportamento com relação às próprias opiniões e, por consequência, a questionar a eficácia de julgamentos dicotômicos. Ou seja, buscar ir além do certo e do errado, do bem e do mal e por aí vai. Tarefa difícil, mas que por 1h57min Hannah Arendt faz parecer possível.

Bom filme!

Apaixonado pela profissão que escolheu, o jornalista Vinícius Lacerda trabalha como produtor cultural e acha que a literatura e o cinema são, além de entretenimento, um prazeroso meio de autoconhecimento.