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Hoje acontece a inauguração da Pernambucanas do Partage Shopping, em Betim. O Ameixa visitou a loja antes da sua abertura para mostrar tudo para vocês!

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lingeries para todos os gostos

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a variedade de sapatos está bem legal, destaque para os sapatos de saltos e as sapatilhas que estavam com preços ótimos.

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…para quem é fã de Star Wars, coleção de jogo de cama, almofadas, toalhas edredons!

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O departamento de eletrodomésticos tem opções bem bacanas e os preços agradaram. Dica: Vi Air Fryer por 199 reais. Os artigos de decoração também estão uma graça, dá vontade de levar tudo para casa!

Confira outros destaques nas fotos da galeria:


Fotos: Osvaldo Castro


Última semana de grandes lançamentos musicais de agosto. O Ameixa comenta aqui os mais relevantes.

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TRIBALISTAS – depois de 15 anos de hiato, o trio-tribalista lança um novo álbum para a alegria dos fãs. O álbum vem menos comercial que o anterior. Não acredito que ira bombar quanto os outros, principalmente em trilhas de novelas. Com algumas músicas boas, o álbum mais parece um CD de músicas esquecidas da Marisa Monte, com um olhar político das coisas. Com a pressão em rádios e a galera de humanas o álbum pode bombar. ESCUTE: Aliança, Baião do Mundo, Feliz e Saudável.

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TAYLOR SWIFT – LOOK WHAT TOU MAKE ME DO - a nova rainha do marketing pop, fez muita propaganda para o lançamento do 1º single do seu próximo algum. Muito barulho pra pouca música e pra uma volta triunfal. É uma música estranha, ao mesmo tempo boa. Entendem? Um pop, rap com um quê medieval (perfeita para a trilha de Game Of Thrones). Na balada deve funcionar. Vamos aguardar o desempenho dela e insistir, afinal a rival da Katy Perry não gosta de brincar em serviço.

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AS BAHIAS E A COZINHA MINEIRA – DAMA DA NIGHT – segundo lançamento do próximo álbum dessa dupla, cujo título é BIXA, o som vem mais uma vez diferente do primeiro álbum. A proposta do novo álbum é claramente identificada por uma produção mais doida e diferentona. Uma proximidade com as músicas das gays cantoras da temporada. A música de vez, vem divertida, estilo anos 70, com letra de uma diva, porém um refrão fraco. É gostosa, louca e mais interessante que Um Caso Doido (first single). O estilo Rita Lee e Frenéticas bem presentes na música – o que é maravilhoso.

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FERGIE – YOU ALREADY KNOW (FEAT NICK MINAJ) – ela vem disposta a fazer a gente esfregar tudo o que pode e não pode numa pista de dança. Influenciada e sampleada pelos anos 90 é uma música interessante. E mantém a coerência do lançamento anterior Milf $.

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THIRTY SECOND TO MARS – WALK ON WATER - eles voltam com música nova no mesmo estilo de sempre com uma pitada melódica. O rock bom pra gente cantar muito “oooooh, oooooh” pelas ruas com nossos fones de ouvido. Tem, ainda, uma semelhança positiva com a música Radioactive de Imagine Dragons.

Escutem também outros bons lançamentos: Caixinha 1 da Vanessa da Mata; Dear Life do Beck; You Can’t Control do Jack Jhonson; Caravanas do Chico Buarque.

Por Flávio Henrique


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O Brasil é o maior produtor de café do mundo, produzindo em 2015, 49 milhões de sacas. Apesar disso sabemos que pouco temos acesso ao café especial, o SEU CAFÉ nasceu da vontade de selecionar os melhores grãos para termos as melhores experiências com essa bebida consumida por mais de 90% dos brasileiros.

Os produtos do Seu Café são preparados com 100% grãos arábicos – tipo de grão que possui aroma e doçura intensos com diversas variações de acidez, corpo e sabor. A marca ainda se destaca por ter sido classificada com pontuação entre 87 e 90 (em uma escala até 100) pela Specialty Coffee Association of America (SCAA). Ou seja, o Seu Café é reconhecido como especial ou premium. “Há muito tempo que eu e minha esposa desenvolvemos um gosto e paladar apurados pelo café e suas variações. Como desejávamos diversificar os nossos segmentos de atuação, resolvemos apostar no café premium. Para isso, investi em cursos especializados, que são referências no Brasil e, constantemente, aprimoro meu conhecimento na área”, explica o diretor do Seu Café, Lucas Ataíde.

Como o objetivo dos empreendedores é focar na comercialização de cafés especiais, eles buscaram no mercado mineiro cultivadores agrícolas com expertise na área, bem como estabeleceram parceria com um consultor que segue os parâmetros de qualidade utilizados pela SCAA Standards (Specialty Coffee Association of America). “Com a modernização e diversificação do café, principalmente, após a Segunda Guerra Mundial, o público também aperfeiçoou o seu paladar. Hoje, o apreciador de um bom café está mais exigente e, principalmente, ávido por novas experiências. Diante desse perfil de mercado consumidor, optamos por parceiros que apresentam as técnicas modernas e que nos auxiliam a inovar os nossos produtos”, complementa Lucas Ataíde.

Nesta fase inicial, o Seu Café traz ao mercado três tipologias, cujos cultivos e extrações são distintos e alinhados com as características dos grãos:

Cerrado de Minas: cultivado em Carmo do Paraíba (divisa do Triângulo Mineiro com o Alto Paranaíba), o produto apresenta aroma de chocolate/caramelo.  

Sul de Minas: originário de Santo Antônio do Amparo, o café oferece aroma floral e bebida cítrica

Matas de Minas: lavrado em Araponga (Zona da Mata), este tipo se destaca por uma doçura intensa e aroma de frutas maduras

SEU-CAFE-AMEIXA-12Por enquanto o SEU CAFÉ é vendido apenas pelo site na marca, mas os sócios Lucas e Ana Ataíde adiantaram para a gente é uma vontade deles ter uma cafeteria conceito na cidade.

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Amamos o café e a embalagem!

 

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A coffe bike, opção super charmosa do Seu Café para eventos. A marca oferece uma cafeteria itinerante operada por um barista graduado, capaz de extrair o melhor do produto, por meio de equipamentos profissionais e com tecnologia avançada. “Temos sólida experiência com produções de eventos e resolvemos aliar o conhecimento adquirido nesta área ao novo negócio. Com a coffe bike, estamos aptos a trabalhar em eventos de perfis diferenciados, como convenções corporativas, feiras de negócios e recepções particulares”, explica a sócia do Seu Café, Ana Ataíde. Com a bike, os clientes poderão inserir em seu evento bebidas quentes (café, café latte) e/ ou geladas (frappuccinos), além de bebidas alcoólicas, como o irish coffee (drink quente conhecido mundialmente).

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Cookies, pães de mel e brownies a base de café também compõem o leque de produtos do Seu Café. Artigos para presentes e datas comemorativas são outros produtos comercializados pelo casal. “Além do café empacotado em embalagens de 250g, contamos com o produto em latas especiais (250g), canecas e xícaras personalizadas, biscoitos e chocolates especiais em latas e kits que poderão ser customizados de acordo com a preferência do cliente”, acrescenta Ana Ataíde.

Amantes de café, fiquem atentos aos links do Seu Café!
Loja virtual: seucafe.com.br/
Facebook: facebook.com/bikeseucafe
Instagram: @oseucafe

 

FOTOS: OSVALDO CASTRO

 


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Quem é fã de produtos de beleza, pode se preparar para a novidade do mês! A Korres, empresa grega conhecida por seus produtos naturais femininos e masculinos, chegou para ficar no Brasil.

A celebração oficial da chegada da marca em Belo Horizonte aconteceu nessa terça-feira, 13 de setembro, em evento de lançamento no Alma Chef. No encontro, os convidados puderam conferir os produtos de pertinho e conhecer um pouco mais sobre a Korres. Claro que, estando na casa de gastronomia mais bacana de BH, não podia faltar um cardápio especial. Abraçando a origem da marca, os pratos eram inspirados na Grécia, e a menção honrosa do Ameixa vai para o Cordeiro com Coalhada Seca e Hortelã, o mais gostoso da noite.

 

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Na apresentação da Korres sobre a história da marca, desde seu surgimento em 1996, fica bem clara a sua preocupação com a sustentabilidade. Além do uso de ingredientes orgânicos naturais com certificados de qualidade, para a criação de produtos que não agridem a pele e o meio ambiente, a empresa também se preocupa em suportar produtores locais. Ah! E a Korres não testa em animais e é vegan. AMAMOS!

Outro ponto que chama a atenção é a qualidade dos produtos que são comercializados no Brasil. Como todos os ingredientes utilizados na fabricação serão importados, comprados dos mesmos fornecedores da Grécia e seguindo os mesmos padrões de fabricação e qualidade europeus, tudo vai ser igualzinho ao que já é vendido lá fora. Nada de versão de segunda linha!

 

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A Korres Brasil conta com linhas para o rosto (cremes, loções, séruns e limpadores), Personal Care (cremes, loções, sabonetes líquidos e esfoliantes para cuidados diários), Hair Care (shampoos, condicionadores e máscaras), e fragrâncias (deo parfums e eau de colognes)

 

E onde comprar Korres? Essa notícia é a mais legal de todas! Em parceria com a Avon, os produtos poderão ser comprados com as revendedoras de todo o Brasil, com preços acessíveis.

O evento foi um sucesso! Um super obrigada ao Alice Ferraz Comunicação Integrada pelo convite, amamos conhecer mais sobre essa marca tão linda. <3

E, ó, fica de olho: recebemos alguns produtinhos para testar e daqui a pouco vai ter resenha aqui no blog. Um beijo!


marcela_dantes_bhMarcela Dantés, autora do livro de contos Sobre pessoas normais (Patuá, 2016)

 

Marcela Dantés nasceu em Belo Horizonte, em 1986. É formada em Comunicação Social pela UFMG e atuou por cinco anos como redatora publicitária, até descobrir  que prefere as palavras na literatura. Já alimentou e assassinou alguns blogs e cultiva em segredo uma pasta digital gorda de contos e outros rabiscos. Sobre Pessoas Normais é seu primeiro livro. O lançamento acontece amanhã (19.05) na Casa Ateliê.

Leia um dos contos de “Sobre Pessoas Normais” que está disponível site da editora Patuá e depois me digam se gostaram. Eu adorei!

 

O PÓ
Abriu os olhos com dificuldade, alguma coisa queimava lá dentro, como quando ainda era criança e faziam guerra de areia no parque da escola, há tanto, há muito tempo. Anos e anos de uma vida que, colocada em balanço, tinha sido boa. Só via o céu, cinza-azul com nuvens gordas, tudo muito estranho porque sua cama ficava em casa e lá sempre houvera um teto, branco, cimento, cal e todas as certezas do mundo. Nunca o céu. O corpo queimava, também, e doía todo ele. O máximo de movimento que conseguiu foi um leve girar de pescoço, pra esquerda, que o permitiu ver um chão sujo, imundo, puro pó e entulho. Devia ser um pesadelo, melhor, logo estaria de novo em casa, com cama e teto e os olhos bem abertos, se assim o quisesse, sem areia e sem dor. Daquele ângulo não via muito além do chão, pedaços de coisas que antes não eram pedaços e, lá no fundo, caminhando em sua direção, um rinoceronte. Sonho ruim. Se aproximava em passos lentos, mas mesmo os passos lentos de um rinoceronte são muito rápidos e ameaçadores para um homem pequeno como ele. Se não tivesse tanta certeza de que estava dormindo, teria se desesperado. Como acordaria em breve, entretanto, ficou ali parado, curtindo a dor e tentando entender o que aquele sonho ruim queria significar, ainda mais agora.
Se acostuma rápido com a dor, foi assim desde menino (a época da areia), e eis que hoje lhe serviria para alguma coisa – sempre soube que é preciso movimento pra despertar dos sonhos. Levantaria logo, não por medo do rinoceronte, é óbvio, mas pra começar a resolver as coisas e deixar o inconsciente em seu devido lugar. Começou mexendo outra vez o pescoço, da esquerda para a direita e depois no outro sentido: queixo no céu, queixo no peito. Pra acordar a coluna, sugerir que movimentos maiores estavam por chegar, pra voltar pro corpo. Queixo no peito e ali achou sangue. Ou qualquer outra coisa vermelha e escura, maquiagem onírica, mas a dor indicava que sangue era a opção mais plausível. Não era muito, mas a mancha crescia, uma crosta grudenta na altura do peito. Se fosse sangue, prudente estancar. Foi quando tentou usar a mão direita para pressionar a carne, mas por mais que o cérebro mandasse, o braço não obedecia. Pescoço para a direita e a história ficando cada vez mais surreal. O antebraço coberto por um tronco enorme, árvore caída com outros destroços e ele já nem sabia mais se doía. Tentou mexer os dedos da mão, cerrar o punho, qualquer coisa só pra saber que ainda estava no controle. Nada, talvez não houvesse mais dedos, mas dali era impossível saber. Na esquerda, o rinoceronte ocupando boa parte do seu campo de visão, as patas enormes, o chifre arranhando o céu, ele também com a sua própria mancha vermelha. Naquele sonho, cada um tinha a sua. Precisou que alguém gritasse para que ele se lembrasse que tinha ouvidos e que eles funcionavam, já havia se acostumado à paisagem sonora desde quando ainda tinha os olhos fechados. O grito veio da única direção pra onde ele não podia olhar, imobilizado pela dor e pela árvore, só podia saber que tinha alguém bem perto, às suas costas. Foi um grito caótico, sem ritmo, profundo. Talvez um pouco desesperado, não parecia ter outro objetivo além de traduzir ou reproduzir o pânico. Talvez o dono da voz, que parecia uma mulher, tivesse visto também o mamífero improvável que agora estava imóvel, os olhos no sol. Como se a pessoa, que era de fato uma mulher, ainda não tivesse entendido que era só um sonho ruim. Tentou responder, pedir ajudar pra rolar aquele tronco, aquilo tudo já estava cansando. Tentou se mostrar, dizer que também estava ali, que também sabia do rinoceronte e tudo o mais de surreal que estava acontecendo. Mas tinha a boca cheia de pó e tudo o que conseguiu foi uma tosse seca, que lhe queimou os pulmões. Precisava se acalmar, organizar o pensamento e o corpo tão machucado, por dentro e por fora (mais onde?), encontrar a saída daquele pesadelo, sem dúvida o pior da sua vida. Na verdade, ele quase nunca sonhava, e quando isso acontecia, eram sonhos rápidos e inofensivos. Nenhum nunca tinha doído de verdade, em todos os ossos do corpo. A mão esquerda pressionava o peito, tateava em busca do buraco que deixava escapar tanto sangue, mas não encontrava nada, a sensação na ponta dos dedos era uma mistura de terra, tecido, pele e aquele líquido desesperador. Se conseguisse girar o corpo num impulso, talvez usasse seu próprio peso para empurrar o tronco e pudesse sair dali. Mas não conseguia, estava exausto, quase inerte. Pensou em dormir, antes de se lembrar que já o fazia, em outro lugar. Naquele quarto que tinha teto, sem poeira, sem pedaços. Com outros mamíferos mais familiares.
Outros gritos, vindo de espaços distintos, como se todos despertassem juntos. Um cachorro se aproximou, ele tinha pavor de cachorro. Fechou os olhos, sentiu a fuça do animal colada na sua, farejando, procurando água, a língua enorme e ofegante pendurada. Ele também tinha sede e sono. Como era possível? O cachorro ficou por ali, ele não conseguiu localizar a mancha do animal, o vermelho seco que identificava os personagens estúpidos daquela quimera empoeirada. Sem pensar, ensaiou um assobio, que saiu como sopro, mas o cachorro entendeu. Abanou a cauda, triste e discreto, e deitou por perto, as orelhas rasgadas, agora ele via. Só assim pra amigar com cachorro. Se divertiu imaginando que em breve o rinoceronte se deitaria por perto e ficariam os três juntos, esperando um despertar que parecia cada vez mais distante. Passos, com certeza eram passos, do ponto cego de novo, ao que tudo indica as coisas estava acontecendo ali. Queixo no céu, muito no alto, barulhos bem perto do seu ouvido, o sol queimando as retinas. Tentou chamar, mas de novo a poeira enchendo a boca, isolando sua voz dentro do corpo tão estropiado e irreal. Queixo no céu, quem tá aí? A angústia crescente de estar rodeado por uma árvore, um rinoceronte, um cão de orelhas rasgadas e muitas pessoas que gritavam e falavam e se moviam, sempre às suas costas. Queixo no céu, tentando ver. E viu. Era um homem, a mancha dele era a maior de todas, maior até que a do rinoceronte, em proporção e em termos absolutos. O homem saiu do maldito ponto cego, foi pra esquerda, a visibilidade ali era melhor, ainda bem. Caminhava lento, arrastando um pé que parecia quebrado, pensou ter visto um pedaço de osso e deve ter visto mesmo. Se olharam, mas o outro também tinha areia e lágrima nos olhos, parecia não ver que era visto. Era o pesadelo mais bizarro da história da sua vida, quiçá da história da humanidade. Parecia uma cena de guerra, pessoas e pedaços, pessoas sem pedaços, cada um por si no meio de todo o pó. Mas na guerra não havia rinoceronte. Nota mental: quando acordar, descobrir o que significa sonhar com rinoceronte. Segunda nota mental: acordar logo, tá doendo muito. Alguma coisa passou muito rápido no canto superior direito do seu campo de visão. No canto do campo. Parecia um tigre, mas aí já era demais. Confortável era olhar pro céu, pelo menos o pescoço não doía, já é melhor que nada. Achou as nuvens mais bonitas, mas perdeu a chegada do carro. Se atentou quando ouviu as portas batendo, será que eles teriam água? Tinha sede, muita. Via as pernas, só. Eram oito e muitos cabos. Duas eram femininas, de saia e meia fina, bonitas, mas também muito sujas de pó. E foi a dona delas que disse qualquer coisa sobre terremoto e zoológico e mortos. Não ouviu o número, pediu que ela repetisse, mas foi um pedido mental. Ela não lia mentes, alguém lê? Foram embora tão rápido quanto chegaram, alguém falou sobre socorro, ambulância, emergência. Ninguém falava sobre água, sobre o concurso de manchas de sangue. Ganharia o dono da maior? Até agora, era o homem do pé quebrado, do osso exposto, já o tinha perdido de vista novamente. Todo mundo ia embora, menos o cachorro e o rinoceronte. Só os bichos ficavam. Como eles iam ver quem seria o vencedor? O dono da maior mancha? Queixo no peito, a minha tá crescendo num ritmo alucinante, vai ganhar essa merda. Ganha o quê? Água? Ou o direito de acordar, que é preferível. Sentiu saudade da mão direita, sentiu saudade da filha. Queria que ela estivesse ali, pra ver um rinoceronte tão de perto, e solto. Ela sempre detestou o zoológico, toda a crueldade com os animais em benefício da diversão dos humanos. E o cheiro de merda. Desejou que a filha estivesse tendo um sonho bom. Desejou as melhores coisas do mundo pra menina, sempre fazia isso quando ela vinha à mente. E ela sempre vinha. Ia gostar de ver o pai embolado num cachorro, quem sabe não seria o primeiro passo pra eles terem um assim em casa. Um desses, bonitos, peludos, de rabo balançando, mesmo com as orelhas rasgadas. O cachorro dormia dentro do seu sonho, o rinoceronte parecia não fazer nada e ele esperava. Pensou ter escutado um helicóptero, mas não via nada no céu. Um tremor no corpo inteiro, não sabia se vinha de dentro, mas vinha de algum lugar. Era frio, com o sol a pino.  Não escutava mais os gritos, mas sabia que eles estavam ali, o choro de um bebê, a voz de uma mulher, o gemido de um homem. E os passos de um rinoceronte, que caminhava novamente, os chifres arranhando o céu. Um homem gritava, pedia cuidado, animal perigoso. A pressão caía ou subia, ele não sabia a diferença. Achou a voz, bem perto do bicho, alguma coisa nas mãos. Ele atirou, dardos coloridos, a ponta cor de rosa. Quem tinha ânimo para brincar nessa hora? Quatro na pele cinza e áspera e agora mais manchada do rinoceronte, que foi fechando os olhos aos poucos. Ele também. Sentiu o exato momento em que não conseguia mais respirar. Não eram os sedativos. Não acordou, nunca mais – assim como outras mil duzentas e quinze pessoas.

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Sinopse:  Uma senhora que foge de casa em busca do passado; uma presidiária que escreve para o companheiro declarando seu amor; um homem doente que narra a rotina do hospital; a noiva que presencia um atropelamento a caminho da cerimônia de casamento, o goleiro que se vê diante do artilheiro em uma cobrança de pênalti, em meio a disputa mais que uma partida de futebol, um antigo amor. As histórias se desenham num tempo urbano e contemporâneo, com detalhes de cena que também narram os momentos vividos pelos personagens. Nos desenlaces singelos e atordoantes, o leitor pode mergulhar numa realidade permeada de afeto e violência, profundamente humana e imersa em doses de ambiguidade.

 

SERVIÇO

Onde? Casa Ateliê – Rua Gonçalves Dias, 3182, Santo Agostinho
Quando? 19 maio de 2016, às19h
Valor do Livro: 38 reais