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É fato: Pablo Escobar é a nova Frida Kahlo da cultura pop. Está em todas: séries, filmes, livros, etc. Embora o icônico “personagem” colombiano não seja o foco principal, ele é a razão de existir de Feito na América ( American Made), novo filme de Doug Liman, que estréia hoje nos cinemas brasileiros, com Tom Cruise ( Barry Seal) sendo a capa e o recheio de todo o filme.

Mais uma prova que Escobar é pop: É a terceira vez que vemos retratada, mesmo que de forma bem romanceada, afinal tem Tom Cruise na jogada, a história de Barry Seal nas telas (já o vimos em Narcos e Conexão Escobar). Um piloto comercial americano, que se torna um traficante, responsável pela definitiva entrada da cocaína de Pablo e de seu Cartel de Medelín em solo americano, ao mesmo tempo em que se torna um espião da CIA para os assuntos referentes às guerras na América Central no final dos anos 70 e inicio de 80.

Feito na América é um eterno começo e recomeço em torno da ascensão meteórica e do poder de Barry Seal diante de todas as situações em que ele está presente. E por isso mesmo o filme de Liam não dá espaço para o aprofundamento das histórias ou um retrato mais sério e verdadeiro da importância do período histórico retratado na obra. É sem dúvida um produto da indústria pop feito para ser visto e apreciado naquele instante em que está na tela e só. Tem uma narrativa explosiva, o que esperamos de todos os filmes de ação. Nada diferente do que Tom Cruise vem fazendo nas últimas décadas.

É inegável que o filme bebeu muito na fonte de Narcos. O fato de Barry ser o narrador da história e por ser essa história girar em torno do surgimento e crescimento do narcotráfico colombiano, imediatamente nos remete às narrações presentes também na série da Netflix. Só que com uma diferença gritante: na série as narrações são recursos para a legitimação dos fatos históricos. Já em Feitos na América, os mesmos recursos são para nos situarmos geograficamente no contexto e para uma tentativa de entendermos um pouco o que de fato pensava Berry Seal sobre tudo isso.

Como sempre, a fotografia, quando se quer retratar situações na América Latina, é carregada de cores fortes. Temos muito tons terrosos para demonstrar que por aqui as coisas são sempre mais quentes. O trabalho do brasileiro César Charlone cumpre à risca a cartilha de “histórias passadas em terras dos hermanos”.

Feito na América é dinâmico, ágil e vale à pena conferir enquanto entretenimento. O sonho americano está mais que glamourizado, mas nada que já não vimos em outras obras. Tom Cruise cumpre bem o papel e seu Barry Seal é cativante, divertido e totalmente fora da casinha. É um filme que não temos dúvidas: realmente foi feito por americanos e para eles.

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Ps: Tom Cruise não envelhece? Mais um que renova o pacto todos os anos, hem?

Um pouco mais de:
Doug Liman: No Limite do Amanhã (2014); A Identidade Bourne (2002); Sr. & Sra. Smith (2005)
Tom Cruise: Jerry Maguire: A Grande Virada (1996); Missão Impossível (franquia); Entrevista Com Vampiro (1994)
Temas Relacionados: Conexão Escobar (2016 ); Scarface (1983); Escobar: Paraíso Perdido (2014)

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Quando Narcos estreou e até o final da sua segunda temporada, todos os olhos estavam vidrados em Pablo Escobar (Wagner Moura). E não tinha como ser diferente. Afinal, um personagem tão rico e tão cheio de nuances dramáticas nos cativou imediatamente. E com o plus da interpretação, sem erros, de Wagner Moura, para o icônico senhor do Cartel de Medelín.

Pois bem, Pablo ao final da segunda temporada foi morto, como era de esperar. E a pergunta que ficou no ar foi: como Narcos será daqui adiante? Conseguirá mesmo sem essa figura tão midiática que foi e ainda é Escobar prender nossa atenção para a história que se irá contar?

Conseguiram! A terceira temporada de Narcos, que já está com todos os seus episódios disponíveis na Netflix, em termos de história e tensão é ricamente melhor que as duas primeiras e tem explicações plausíveis para isso. A nova temporada é mais pé no chão, mais realista que as duas primeiras. E a série só ganha com isso.

A figura de Pablo Escobar se mistura com o realismo fantástico colombiano e toda a sua megalomania em querer ser o mais temido, o mais rico e o mais sanguinário deixava Narcos mais com os dois pés no ficcional fantástico (ok, é uma série fictícia) do que qualquer outra proposta que o roteiro tivesse em mãos. Tinha muito de Tom & Jerry na história. Não culpa do roteiro. Culpa do seu personagem principal até então.

narcos2Sai  Medelín e entra Cali. Cali também não está para brincadeiras, mas tudo é mais pensado, mais silencioso, sem ruídos. O foco narrativo sai de uma pessoa e, a principio, para quatro, o chamado Cavalheiros de Cali: Os irmãos Gilberto (Damián Alcázar) e Miguel Rodriguez (Francisco Denis), Pacho Herrera ( Alberto Ammann) e Chepe (Pêpê Rapazote). Juntos com um propósito único e cada um desempenhando uma função Cali cresce aos olhos de todos.

A terceira temporada de Narcos se segura muito nos acordos políticos, sociais e econômicos entre o Cartel de Cali e o governo colombiano e americano. O que mostra que você pode até desmantelar uma estrutura narcotráfica, mas não se esqueça que outra já está sendo montada. Com isso em mente, Javier Peña (Pedro Pascal), é o narrador e figura central de toda a temporada. Pascal mostra que é um ótimo ator, porém, senti falta no roteiro de dar ainda mais destaque para o seu personagem. Em diversos momentos, Peña desaparece entre tantas outras figuras interessantes.

narcos3Não tenho dúvidas de que quem roubou a cena nessa terceira temporada de Narcos foi Jorge Salcedo (Matias Varela). O homem responsável por toda a segurança do Cartel de Cali trava uma luta pessoal para se desvincular do narcotráfico e episódio a cada episódio cabe a ele armar e desarmar praticamente todas as cenas de tensão da temporada. Sabemos qual será o seu fim, mas o trabalho espetacular de Matias Varela nos faz torcermos mais uma vez por um anti-herói, dessa vez na figura de Jorge Salcedo.

A terceira temporada abre e fecha com maestria a historia de Cali e já abre um rio de possibilidades para a próxima, melhor, as próximas temporadas. Peña já está ciente que não é eliminando o narcotraficante que se elimina por inteiro o narcotráfico. Essa caçada não tem fim. Outros Escobares, outros cavalheiros estão sempre aparecendo. É um sistema. E contra ele, até agora, não há um final.