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A Mansão Winchester, a casa mais mal assombrada do mundo, é o pano de fundo para o mais novo filme de terror dos irmãos Michael e Peter Spierig. A Maldição da Casa Winchester, encabeçada pela oscarizada e multifacetada, Helen Mirren, estréia hoje nos cinemas de BH prometendo muito susto, mas que ficou só na promessa mesmo.

A “Winchester Mystery House” começou a ser construída em 1884 e as construções só foram interrompidas em 1922, com a morte da sua matriarca, Sarah Winchester, viúva do magnata das armas de fogo, William Wirt Winchester. Localizada em San José, Califórnia, a mansão possui 7 andares e mais de cem quartos. Sem nenhum projeto estrutural, a mansão ia sendo construída de acordo com as visões de Sarah.

Tablóides da época alegaram que algum ponto depois da morte de seu marido, a viúva chamou um médium para canalizar o espírito de seu falecido marido. O espírito disse que ela deveria deixar sua casa em New Haven e viajar para o Oeste, onde ela devia construir uma casa para ela e os espíritos de pessoas que tinham sido vítimas de rifles Winchester. Após a morte de Sarah, a mansão foi vendida e em fevereiro de 1923, cinco meses após a morte de Winchester, a casa foi aberta ao público.

A história da casa Winchester é por si só um roteiro pronto para qualquer filme. Porém, A Maldição da Casa Winchester se perde num emaranhado de jumpscare (susto fácil) sem a necessidade para tal. Em um período que o terror no cinema passa por uma mudança na sua forma de contar uma história, o filme volta anos e se torna mais um daqueles filmes de terror de Sessão da Tarde. Além de ser um desperdício do talento de Helen Mirren em cena.

É muito mais interessante perdermos tempo em procurarmos os diversos documentários feitos sobre a casa, as centenas de lendas urbanas que permeiam a mansão e até mesmo montar um pacote turístico para visitar as principais casas assombradas existentes no mundo e incluir com honrarias a Mansão Winchester. A casa ainda mantém toques exclusivos que refletem as crenças da Sra. Winchester e sua preocupação incessante em como afastar e aprisionar  os espíritos malévolos.


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Uma das promessas de filmes de terror/suspense para o ano de 2018 é o filme Sobrenatural – A Última Chave. Com estreia para esta quinta-feira (18/01), este quarto capítulo da franquia Insidious mostra mais um episódio na vida da investigadora paranormal Elise Rainer (Lin Shaye). Passado dessa vez no ano de 2010, o filme conta sobre a volta de Elise para a casa em que morava quando criança para enfrentar seus primeiros demônios.

Sobrenatural é considerada uma das mais bem sucedidas franquias de suspense da década. E mesmo em seu quarto filme ainda se mostra com muito fôlego. O encontro de Elise com os demônios de sua infância, na casa em que foi criada, pode criar uma expectativa do fim da era Sobrenatural. Entretanto, o roteiro bem apresentado, envolvente e maduro vai contra o óbvio que todos os outros filmes trouxeram e traz sinais de que a história poderá continuar.

Um bom diferencial deste filme em relação aos anteriores é a agilidade da história. O filme é mais rápido. As cenas de sustos não são longas. É mérito do casamento de um bom roteiro (rápido e direto, exatamente como deve ser nos dias de hoje) e uma direção com cenas curtas e objetivas. Nada daquelas cenas que fazem o espectador pensar: mas por que não fizeram isto? Até porque o filme é de 2017 e se passa em 2010, ano do lançamento do primeiro filme da franquia. Como o acesso a filmes deste gênero é mais fácil hoje em dia, é preciso mostrar uma novidade. Ponto pra este filme.

Outro diferencial é a personagem Elise mais séria, ainda que ao lado dos propensos caçadores de fantasmas, digo, ajudantes da Elise, Tucker (Angus Sampson) e Specs (Leigh Whannell). Ficou somente para eles o tom de comédia deste suspense. O filme ganhou mais credibilidade por isto. Saiu daquele formato anterior de: temos um demônio, vamos chamar Elise e seus ajudantes desajeitados.

Para quem não viu nenhum dos filmes anteriores, não se preocupe. O filme é muito redondo. Em nenhum momento você ficará perdido na história. Para os fãs destes filmes, fiquem tranquilos, pois há referências aos filmes anteriores, só que de forma mais sutil. As cenas dos anteriores que aparecem são muito bem explicadas para o coleguinha que não assistiu às histórias anteriores.

Podem correr para os cinemas já que este filme já chegou honrando o gênero. E deixo a responsabilidade para vocês de concluírem se  terminará com A Última Chave.

 


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De tempos em tempos os gêneros cinematográficos se renovam e o terror não fica de fora dessa lógica. Isso se deve muito a visão dos diretores em querer contarem as mesmas histórias de formas diferentes, aos contextos sociais de cada época, ao ritmo do público, as novas tecnologias. Enfim, uma gama de situações do tempo presente que juntas promovem as renovações. Os filmes Raw (2016) e Get Out (2017) são bons exemplos sobre a nova cara do terror.

Essa introdução toda foi apenas para justificar que Amityville – O Despertar, em cartaz nos cinemas de BH, poderia ter sido mais um exemplo dessa renovação, porém não é o que acontece. O filme de Franck Khalfoun preferiu ficar no mais obvio do que se espera de um filme de terror deixando-o entediante e sem razão de ser.

Existe uma grande diferença entre medo e susto. O medo é necessário em qualquer filme do terror. É ele quem leva o filme adiante. É o medo que nos prende àquela história. O susto, quando bem encaixado ao medo, é uma ferramenta preciosa para esse gênero. Mas, o susto pelo susto não convence. Uma sucessão de sustos aleatórios cansa. E é isso o que mais temos em Amityville – O Despertar.

A história é carregada de clichês: Acompanhamos a mudança de uma família para uma nova/velha casa em Amityville, famosa por ter sido o cenário de assassinatos e possessões no passado, afim de darem um melhor conforto ao filho doente. Temos a filha mais velha, revoltada e a primeira a observar que algo não está certo (clichê nº 1), a mãe cética sobre tudo (clichê nº 2), a filha mais nova que conversa com os espíritos (clichê nº 3), o cachorro que sempre é o primeiro a pressentir algo e o primeiro a morrer (clichê nº 4), um médico ou um padre que sempre foge do local (clichê nº 5) e por aí vai. E o problema de tantos clichês é que sabemos o fim de cada um. Um sustinho aqui, outro acolá, mas medo, aquele medo real não sentimos.

Uma pena porque o elenco é bom e de rostos conhecidos. Temos Jennifer Jason Leigh fazendo a mãe Joan, a nova queridinha do público teen, Bella Thorne, Belle a filha mais velha e Jennifer Morrison como Candice, a tia avulsa e totalmente desnecessária na história. São nomes que chamam o público? Com certeza, mas fica-se apenas nisso. As atuações são todas no automático perdendo a única chance do casting salvar o todo.

Deixei o clichê mais importante para o final. Todos nós já conhecemos o que se passou e o que acontece com a família que se muda para a casa demoníaca de Amityville. O clássico Horror em Amityville ( The Amityville Horror), de 1979, foi o primeiro filme de uma série que o seguiram a retratar tais acontecimentos. Vale lembrar que a história original do filme é baseada em fatos reais. Resumindo: Amityville – O Despertar não traz nenhuma novidade sobre o que pode acontecer em quase duas horas de filme com essas novas pessoas na famosa casa nº 112 da Ocean Avenue . Infelizmente o medo e a curiosidade não foram despertados dessa vez.

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Estréia hoje (07/09), nos cinemas da capital, IT- A Coisa (Parte I), uma nova leitura do clássico do terror literário de Stephen King. A direção e roteiro ficaram a cargo de Andrés Muschietti. O filme é um dos mais aguardados pelos fãs do gênero pela curiosidade de como o diretor iria retratar e dar uma nova roupagem a história já vista nos cinemas em 1990 e considerada uma obra prima do terror.

O enredo de IT – A Coisa,  se passa no verão de 1988, na cidade de Derry. O desaparecimento de crianças e adolescentes começa a movimentar a cidade. O mistério une sete pré-adolescentes, o grupo dos losers da escola local, já que os mesmos começam a ser perseguidos por Pennywise, um palhaço com o poder de ativar as fobias e os medos de cada um deles.

O roteiro é muito bem construído não deixando margens para fios soltos na narrativa. Apresenta os personagens de forma que não desviamos o olhar dessas histórias. Isto somado a uma excelente atuação do elenco mirim torna IT – A coisa (Parte I), mesmo com a roupagem oitentista, mais próximo da nova onda dos filmes de terror, cujo diretor é um dos responsáveis com o ótimo Mama, de 2013.

Outro ponto alto,  já citado, é a ambientação nos anos 80. Perfeitamente expressada na cenografia, fotografia, figurino e nos diálogos. A aura aventureira dos adolescentes daquela época, já retratas em diversos filmes dita o ritmo da história. Para a geração Netflix não pensem que IT – A Coisa tem muito da aclamada série Stranger Things. É justamente o contrário. A séria da plataforma online bebe e muito na fonte do clássico exibido em 1990 e também no texto de Stephen King. Inclusive um dos atores da série, Finn Wolfhard, é parte do elenco infantil, da primeira versão do filme.

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O bom de estarmos em 2017 e vermos um filme ambientado nos anos 80 é que os efeitos especiais são de primeira qualidade, o que torna as cenas de terror e o clímax do filme ainda muito crível e interessante. É um excelente filme. Pode-se afirmar que é um dos melhores filmes de terror da atualidade. E esclarecendo a dúvida que muitos tinham com esse filme, IT – A Coisa (Parte I), não é um remake do clássico de 1990. Entendam o porque:

IT (1990) x IT (2017)

Em 1990, Lawrence D. Cohen (roteirista) e Tommy Lee Wallace (diretor) levaram às telas de cinema a primeira versão de IT. A história retrata a segunda parte do livro de Stephen King, passados 30 anos após os acontecimentos de 1988, retratados na versão de 2017. Na primeira versão o roteiro faz uso da memória dos personagens para contar algumas partes do ocorrido no verão de 1988. Já IT- A Coisa 2017 concentra-se somente na primeira parte do livro, ou seja, apenas no desaparecimentos das crianças em 1988.

O próprio título do filme de 2017 dá indícios que teremos sim a segunda parte da história, até mesmo nos diálogos finais dos personagens podemos perceber isso. Afinal, o mistério do palhaço Pennywise é que ele retorna de 30 em 30 anos para se alimentar dos medos dos adolescentes de Derry. É esperar para vermos.

Um pouco mais de:

Andrés Muschietti: Mama (2013)
Temas Relacionados: IT – A Coisa (1990); A Hora do Pesadelo (1984); Sexta-Feira 13 (1980)

Veja o vídeo comparando o trailler de IT- A Coisa 2017 x 1990

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Alô, amantes de filmes de terror! Começa hoje (24/10) a mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo no Cine Humberto Mauro. 

A mostra dedicada aos gêneros de terror, suspense, policial ou “terrir” (horror + comédia), produzidos no Brasil, é composta por 39 filmes (23 longas e 16 curtas-metragens) produzidos nos anos 1990 e 2000. Além da exibição dos filmes, a mostra inclui palestras e debates com estudiosos e especialistas em filmes brasileiros de terror e de um catálogo com textos inéditos e fichas técnicas.

Teaser da mostra “Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo” from Medo e Delírio on Vimeo.
 

 

PROGRAMAÇÃO
24 SEX
17h “A Menina do Algodão” (Dir.: Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira * 8 min) + “O Fim da Picada” (Dir.: Christian Saghaard  * 80 min)
19h “Um Ramo” (Dir.: Juliana Rojas e Marco Dutra * 15 min) + “Corpo” (Dir.: Rubens Rewald e Rossana Foglia * 85 min)
21h ABERTURA: “Sexta-feira da Paixão” (Dir.: Ivo Costa * 17 min) + “Encarnação do Demônio” (Dir.: José Mojica Marins * 94 min).
 
25 SÁB
16h “Achados e Perdidos” (Dir.: José Joffily * 100 min)
18h “O Escorpião Escarlate” (Dir.: Ivan Cardoso * 90 min)
20h “O Membro Decaído” (Dir.: Lucas Sá * 17 min) + “Olhos de Vampa” (Dir.: Walter Rogério
* 74 min)
 
26 DOM
16h “O Duplo” (Dir.: Juliana Rojas * 25 min) + “Gêmeas” (Dir.: Andrucha Waddington * 75 min)
18h “A Morte e Morte de Johnny Zombie” (Dir.: Gabriel Carneiro * 14 min) + “Mar Negro” (Dir.: Rodrigo Aragão * 96 min)
20h “A Lasanha Assassina” (Dir.: Ale McHaddo * 8 min) + “Morgue Story: Sangue, Baiacu & Quadrinhos” (Dir.: Paulo Biscaia Filho * 78 min)
 
27 SEG
17h “Espeto” (Dir.: Guilherme Marback e Sara Silveira * 17 min) + “Desaparecidos” (Dir.: David Schürmann * 73 min)
21h “O Hóspede” (Dir.: Anacã Agra e Ramon Porto Mota * 17 min) + “Um Lobisomem na Amazônia” (Dir.: Ivan Cardoso * 75 min)
 
28 TER
17h “Amor só de Mãe” (Dir.: Dennison Ramalho * 20 min) + “Strovengah – Amor Torto” (88 min)
19h Palestra: “Cinema de horror: das origens ao abrasileiramento”, por Carlos Primati, pesquisador e especialista em filmes de horror.
21h “Encosto” (Dir.: Joel Caetano * 7 min) + “Bellini e o Demônio” (Dir.: Marcelo Galvão * 20 min)
 
29 QUA
17h “Bufo & Spallanzani” (Dir.: Flávio R. Tambellini * 96 min)
19h “Ninjas” (Dir.: Dennison Ramalho * 15 min) + “FilmeFobia” (Dir.: Kiko Goifman * 80 min)
21h “Mangue Negro” (Dir.: Rodrigo Aragão * 104 min)
 
30 QUI
14h45 “O Xangô de Baker Street” (Dir.: Miguel Faria Jr * 123 min)
19h15 Debate: “Cinema de terror: gênero brasileiro?”, com Rodrigo Carreiro (professor e pesquisador), Juliana Rojas (diretora e roteirista) e Gabriela Amaral Almeida (diretora e roteirista)
21h15 “Vinil Verde” (Dir.: Kleber Mendonça Filho * 13 min) + “Quando Eu Era Vivo” (Dir.: Marco Dutra * 80 min)
 
31 SEX
15h “Sintomas” (Dir.: Fernando Mantelli * 25 min) + “Trabalhar Cansa” (Dir.: Juliana Rojas e Marco Dutra * 100 min)
17h15 “Sem Controle” (Dir.: Cris D’Amato * 92 min)
19h “A Mão que Afaga” (Dir.: Gabriela Amaral Almeida * 19 min) + “Nervo Craniano Zero” (Dir.: Paulo Biscaia Filho * 80 min)
21h “Encarnação do Demônio” (Dir.: José Mojica Marins * 94 min)
1 SÁB
16h “Amor só de Mãe” (Dir.: Dennison Ramalho 20 min) + “Strovengah – Amor Torto” (Dir.: André Sampaio * 88 min)
18h Palestra: “Medo de quê? Uma história do horror no cinema brasileiro”, com Laura Cánepa, professora e pesquisadora
20h30 – “A Menina do Algodão” (Dir.: Kleber Mendonça Filho e Daniel Bandeira * 8 min) + “O Fim da Picada” (Dir.: Christian Saghaard * 80 min)
 
2 DOM
16h “A Noite do Chupacabras” (Dir.: Rodrigo Aragão * 106 min)
18h “O Lençol Branco” (Dir.: Juliana Rojas e Marco Dutra * 17 min) + “Brasília 18%” (Dir.: Nelson Pereira dos Santos * 106 min)
20h15 “O Membro Decaído” (Dir.: Lucas Sá * 17 min) + “Olhos de Vampa” (Dir.: Walter Rogério* 74 min)
 
SERVIÇO
Mostra Medo e Delírio no Cinema Brasileiro Contemporâneo
24 de outubro a 2 de novembro
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Entrada franca
Informações www.medoedelirio.com.br