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Indicado essa semana aos Oscar de Melhor Filme e Melhor Atriz, The Post – A Guerra Secreta, o novo filme de Steven Spielberg estréia hoje nos cinemas de BH com Tom Hanks e Meryl Streep encabeçando uma discussão mais contemporânea impossível, a relação entre Estado e Imprensa.

No final dos anos 60, o jornal The Washington Post se vê em seu momento de transição mais delicado: deixar de ser uma mera instituição familiar –  comandado por Kat Grahan (Meryl Streep), uma mulher respeitada por toda sociedade da capital americana, mas sem nenhuma voz ativa no comando do jornal – e se tornar um dos gigantes da imprensa americana abrindo o seu capital.

O que caminhava para uma decisão extremamente fácil e necessária para a sobrevivência do jornal em torno dos interesses dos grandes investidores (mercado, Estado, etc) , torna-se uma guerra interna quando vem à tona um dossiê contendo documentos secretos do Pentágono onde se comprovava a deficiência dos EUA na Guerra do Vietnã. Nesse ponto crucial, Spielberg apresenta a mensagem que se deseja passar: não é de hoje que a liberdade de imprensa vê-se ameaçada.

The Post  - A Guerra Secreta é mais um caso clássico do jornalismo mundial, pondo de um lado, a imprensa com Ben Bradlee (Tom Hanks), o editor-chefe do The Washington Post que defende o autonomia da redação em publicar o escândalo americano que ficou conhecido como “Pentagon Papers” e Estado, aqui na figura de Kat Grahan, atormentada pelas figuras poderosas da política americana, mas ao mesmo tempo incomodada com a irrelevância e o descrédito dada a ela por ser mulher e por isso ser incapaz de conduzir uma instituição. Se antes The Post era uma discussão entre imprensa e Estado, ela ganha mais um arco: o protagonismo social feminino.

A estrutura narrativa de The Post – A Guerra Secreta lembra em muito outro filme recente, Spotilight, talvez muito devido a presença em ambos de Josh Singer assinando o roteiro junto com Liz Hannah. Um elenco de peso se revezando em momentos de protagonismo para se contar uma história baseada em fatos reais tendo a instituição jornalística como fio condutor. Porém, as duas obras logo se se distinguem rapidamente, uma vez que The Post se concentra mais nos bastidores de como uma noticia pode ou não vir a ser publicada.

Não tem como um filme de Spielberg com Streep e Hanks de dar errado. Falar dessas duas atuações é “chover no molhado”. Cada um desempenha de maneira segura e absoluta os seus papeis. Tom Hanks acerta no tom com Bem Bradlee, uma figura importantíssima na história do jornalismo recente e Meryl Streep é a voz certa para aflorar em Kat Grahan a referencia da mulher que assume o papel que lhe é de direito.

Mais uma vez Spielberg consegue contar sua história como ninguém mais. É característica do diretor colocar em prática um dialogo com o público onde aquilo que se quer falar é exatamente aquilo que você está ouvindo. Mesmo não sendo um thriller jornalístico, ele consegue prender nossa atenção sobre cada passo que o The Washington Post irá tomar e se aqueles jornalistas, na melhor tradução da palavra, conseguirão publicar a verdade.

Os seus planos aéreos interrompidos pelos close-ups quando se quer prender nossa atenção naquilo que o personagem quer realmente dizer ou expressar transformam The Post – A Guerra Secreta em uma história nostálgica sobre aquilo que realmente esperamos de um jornalismo: a sempre pré disposição em ter a sociedade como a principal receptora da verdade. Em tempos de Trump e do circo midiático de Brasília fica cada vez mais difícil de acreditarmos nessa máxima.