O primeiro disco escolhido para a coluna Bolachão é ELIZETH CARDOSO, ZIMBO TRIO, JACOB DO BANDOLIM, ÉPOCA DE OURO – AO VIVO NO TEATRO JOÃO CAETANO, um dos principais discos da história da música popular brasileira.

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ELIZETH CARDOSO, ZIMBO TRIO E JACOB DO BANDOLIM, ÉPOCA DE OURO – AO VIVO NO TEATRO JOÃO CAETANO, foi lançado em 1968 em dois volumes, com 39 faixas, gravado na noite chuvosa de 19 de fevereiro de 1968, no teatro João Caetano no Rio de Janeiro. A produção artística é de Hermínio Bello de Carvalho.

Naquela época, o Museu da Imagem e Som do Rio de Janeiro atravessava uma fase de muita dificuldade financeira. Elizeth uniu-se com o Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e sua banda Época de Ouro para fazer um show inesquecível para 1.500 pessoas, com duração de duas horas, em prol do museu. A dificuldade financeira era tamanha que, para viabilizar a gravação do show, o então diretor do museu, Ricardo Cravo Albin, recorreu à Embaixada Americana para conseguir fitas, com conteúdos de gravações de personalidade políticas, para registrar o espetáculo.

O repertório é composto por inúmeros sucessos da Divina Elizeth, instrumentais grandiosos dos acompanhantes, canções de importantes compositores da música brasileira, tais como Noel Rosa, Milton Nascimento, Vinícius de Moraes, Ary Barroso, Tom Jobim, Pixinguinha. A sequência das músicas não é idêntica à apresentada naquele show. Houve pequenas alterações na ordem para trazer certa cronologia às canções. Algumas canções ficaram de fora da versão elepê por terem ultrapassado os previstos 90 minutos para o recital. Foi em 1977 que Hermínio Bello conseguiu editar um terceiro disco com fragmentos inéditos do show.

É um dos álbuns mais relevantes da música brasileira, segundo a opinião de críticos, compositores e cantores. O poder da voz de Elizeth, acompanhada de músicos gigantescos, traz o tempo áureo das canções brasileiras. Foram 80.000 cópias vendidas no Brasil, além de ter sido apontado como o disco mais esperado pelos fãs e pela indústria fonográfica. O sucesso é tamanho que no Japão ele teve uma edição especial e rara, quase integral. Estes LPs estão na lista dos mais raros de se adquirir. Com a chegada do CD, conseguiu-se, então, o registro integral do recital em 2 volumes de 80 minutos cada, incluindo vários intervalos de muitos aplausos e interações com a plateia, o que confere um gosto a mais ao álbum.

ELIZETH CARDOSO

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Divina, Cantadeira do amor, Faxineira das canções, Meiga, Enluarada são alguns dos tantos apelidos que Elizeth Cardoso recebeu e recebe referendando sua voz, sua carreira e sua versatilidade. Nascida em 16 de julho de 1920, em São Francisco Xavier/RJ, foi descoberta por Jacob do Bandolim. Cantou boleros, chorinhos, samba-canções e sambas em muitas histórias de amor. Com seu antológico disco “Canção Do Amor Demais”, de 1958, só com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, surgiu aquele que é considerado a origem da bossa-nova. A Divina morreu em 7 de maio de 1990 em decorrência de um câncer. Sua discografia é facilmente encontrada em CD, plataformas digitais e lojas de discos de vinil. Atualmente, há inúmeros nomes da música brasileira cantando discos inteiros em homenagem à obra de Elizeth, uma delas é Rosa Passos. Para os jovens da atualidade, Elizeth é mais conhecida pela canção ‘Eu Bem Sim’.

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Separamos uma playlist com top 10 canções na voz de Elizeth Cardoso. Adicionamos várias fases de sua carreira para quem conhece matar a saudade. Quem não conhece, poderá ouvir e entender a obra e importância desta ilustre cantadeira.

Escute:

ELIZETH CARDOSO, ZIMBO TRIO, JACOB DO BANDOLIM, ÉPOCA DE OURO – AO VIVO NO TEATRO JOÃO CAETANO Vol.1

ELIZETH CARDOSO, ZIMBO TRIO, JACOB DO BANDOLIM, ÉPOCA DE OURO – AO VIVO NO TEATRO JOÃO CAETANO Vol.2


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Perguntar para uma pessoa com pouco mais de 20 anos de idade se ela conhece, ouviu, tocou um vinil, a resposta será alta e seca: NÃO. Isto porque no fim dos anos 90 o Compact Disc, CD, estava aparecendo no mercado fonográfico prometendo tecnologia e qualidade. Ali aparecia no calendário a data limite para a existência do vinil. Foi entre 1994 e 1996 que o cd começou a se popularizar no Brasil. O efeito “cd” acarretou a redução e extinção da fabricação de discos. Por isto, ele foi tratado como obsoleto, música não durável, quebra fácil, arranha fácil e muitos outros apelidos. Está enganado quem pensa que hoje em dia as pessoas vivem apenas com mídias digitais, cds, e que os amantes do vinil só compram discos antigos de lojas em galerias. O vinil está numa boa fase, obrigado.

Falar de LP é lembrar-se de bons momentos. Uma lembrança boa de ir numa loja e olhar os lançamentos. De apreciar suas capas. De ter que esperar por dias pela chegada do álbum do artista favorito. De conhecer uma música em qualidade estéreo. De gravá-lo numa fita k7. De torcer para a música não pular. De escutá-lo até furar. De ser uma mídia das mais físicas que aguçam nossos sentidos. Além da nostalgia, o vinil é de suma importância para a história da música, de artistas, filmes e até telenovelas.

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Para quem não conhece o vinil, a música vem prensada num plástico redondo, que em contato com uma agulha produz um atrito que emite som. O disco tem até 30 cm de diâmetro, inúmeras cores, pode vir com músicas, histórias, shows. A bolacha tem dois lados, quase sempre intitulados Lado A e Lado B. Você se lembra da expressão “virar o disco”? Sim, tem que ir ao aparelho e colocar para tocar o outro lado. Suas bordas fazem um barulho que antecipa o início da primeira faixa de cada lado. Nas músicas de hoje, este barulhinho característico é bastante usado para dar aquele ar vintage. E se não tiver cuidado, este barulho no meio das músicas é sinal de que o vinil está estragado, podendo fazer a agulha pular. Os vinis foram responsáveis por levar música às rádios, às discotecas, por transformar artistas regionais em símbolos da música nacional, nos colocou em contato com materiais incríveis vindos do exterior. A paixão por vinil despertava da qualidade da música que saía da agulha.

Sem a listinha de compras, a escolha do novo vinil vinha de suas capas. A capa tinha que ser certeira. O primeiro impacto para os álbuns conhecidos e para as novidades. As capas são grandes como um quadro de parede, com belas imagens, identidades musicais. Na época áurea do vinil, por exemplo, as capas eram tão importantes para as novelas que ali apareciam modelos, atores que se destacavam, ou a identidade dos folhetins. O poder da capa era tamanho que se você vir a capa dos discos de Secos & Molhados, David Bowie, Grace Jones, Beatles, de novelas como Te Contei?, Brega & Chique, Dancin Days é como ver obras de arte de encher os olhos. As capas, hoje em dia, causam apenas um burburinho. Não têm o peso de antigamente.

Para os desavisados, afirmo que há álbuns inéditos sendo lançados em vinil. Estão sendo lançados em baixa escala, porém em crescente aceitação. Álbuns clássicos estão sendo relançados em vinil. Seu artista preferido está lançando música no Spotify, em cd e… em vinil. Tem até novela, Os Dias Eram Assim, se atrevendo a lançar a sua trilha sonora em vinil.

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A diferença para com os antigos é que a qualidade das capas atuais é bem melhor. O vinil vem mais pesado, em média com 180 g, melhorando a durabilidade e qualidade da alquimia do disco com a agulha. Os preços atuais são bem salgados. Quase sempre de R$100,00 para cima. Até mesmo os vinis antigos estão encarecendo, ou pela demanda ou pela morte/fim do artista.

Mesmo com o pretexto de serem relançados ultimamente para Dj’s ou exímios colecionadores, o que interessa é que muitas pessoas estão interessadas em ter os álbuns da atualidade em vinil. Isso vem crescendo significativamente. Algumas fábricas estão reabrindo e gravadoras no Brasil estão de olho neste mercado.

Espero que a onda do vinil cresça ainda mais. Que a volta dele venha trazer bons preços e acessibilidade a mais pessoas. Eu sou amante e tenho vários vinis. Uns compro pelas ruas da cidade, outros por meio de importação. Para mim vai além da nostalgia. Gosto de ouvir seu som, sentir um álbum nas mãos e ter o trabalho (para muitos não é trabalho algum) de trocar o lado e escolher o disco seguinte.

Obsoleto ou não, o vinil está em ascensão. Este crescimento não acabará com nenhuma mídia atual. Pelo contrário, dará mais opções em formatos musicais. Vai agradar aos ouvintes e a quem sabe movimentar as vendas de músicas que ultimamente andam com o volume baixo.

Vem aí BOLACHÃO

Ligado a este assunto, uma vez por mês falarei sobre vinil ou álbuns que largamos no passado. Temos muitos sucessos de artistas que escutamos apenas em playlist ou em coletâneas e esquecemos que suas primeiras obras têm o seu valor. Falarei da história do disco, suas canções, suas capas, vendagens, etc… Enfim: fiquem ligadinhos na minha coluna musical aqui no Ameixa Japonesa.